quinta-feira, 30 de abril de 2009

Aprendendo a orar

Certa vez, os discípulos de Jesus fizeram a ele o seguinte pedido: "ensina-nos a orar" (Lc 11.1). Este não é um pedido de somenos importância. Jesus considerou tão relevante aquela solicitação que passou a ensinar-lhes a orar apresentando-lhes uma oração que lhes serviria de modelo por conter os princípios fundamentais da boa oração.

Alguém poderia aqui conjecturar: "Então, quer dizer que existe oração má?" Sim, existe oração má, quer por não glorificar a Deus, quer por estar completamente fora dos propósitos divinos. 

Oramos mal por ignorância, pois "não sabemos orar como convém" (Rm 8.26-27); porque nosso conhecimento sobre todos os fatores e implicações futuras é limitado, de modo que "o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor" (Pv 16.1); 

Oramos mal por ambição carnal como bem apontou o Apóstolo Tiago: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal para esbanjardes nos vossos deleiteis e prazeres" (Tg 4.3); 

Oramos mal por orgulho, egoísmo e presunção espiritual tal como o fariseu que orava sentido-se superior ao publicano (Lc 18.9-14); 

Oramos mal por desconhecermos a verdadeira natureza de Deus: “Vós adorais o que não conheceis” (Jo 4:22). 

Oramos mal quando agimos como os pagãos que acreditam que por muito falarem é que serão ouvidos (Mt 6:7,8); 

Oramos mal quando usamos a oração como instrumento de autopromoção como faziam muitos fariseus (Mt 6.5); 

Oramos mal quando estamos, ao mesmo tempo, tratando indignamente as pessoas do nosso convívio: “tratai vossas esposas com dignidade para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3.7); 

Oramos mal quando somos impiedosos e brutais como aquele credor incompassivo da parábola (Mt 18.21-35 e Mt 6.35); 

Oramos mal quando conservamos mágoa e não estamos abertos a reconciliação, não atentando para a seguinte exortação do Apósto Paulo: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura..." (Hb 12.14,15); 

Oramos mal quando oramos sem fé, pois devemos pedir "com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa” (Tg 1.6,7; ver também Hb 11.1 e Mc 11.24); 

Oramos mal quando não estamos dispostos a produzir frutos para a glória de Deus e nem buscamos o seu Reino em primeiro lugar, pois Jesus nos vocacionou para sermos frutíferos e para que o nosso "fruto permaneça; a fim de que tudo o que pedirmos ao Pai em nome de Jesus, nos seja concedido...” (Jo 15.16; Mt 6.33); 

Oramos mal quando não oramos diretamente ao Pai em nome de Jesus, como ensinava ele dizendo ao seus discípulos, que: “... se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (Jo 16.23); 

Oramos mal quando dirigimos nossa oração aos santos que já morreram, algo que foi terminantemente proibido por Deus, que disse ao seu povo: “não acharás entre ti quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor" (Dt 17.10,11) e, no mesmo sentido também falou através do profeta Isaías, questionando: "a favor dos vivos se consultaram os mortos?" (Is 8.19); 

Oramos mal quando solicitamos a mediação de qualquer outra pessoa ou ser que não seja Jesus, “porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5; ver também At 4.12; Hb 9.15 e 12.24); Jesus é nosso único advogado (1 Jo 2.1); o único caminho para Deus (Jo 14.6); e o nosso supremo sumo sacerdote que, por tudo que sofreu, sabe exatamente como nos sentimos, sendo capaz de compadecer-se de nós, de modo que, em parceria com o Espírito Santo (Rm 8.26), nos socorre em nossas fraquezas, vivendo a interceder a nosso favor  diante do trono de Deus (Hb 4.14-16; 7.25).

Vemos aí que o Senhor Jesus não apenas nos ensina a orar, como também intercede por nós. Com um reforço deste, os cristãos sinceros têm esperança de que suas orações imperfeitas, mesmo as do tipo que produzem os gemidos inexprimíveis do Espírito, alcançarão o trono da graça. E, como oração não é monólogo, mas, sim, diálogo, neste processo de orar, estamos também ouvindo a Deus, o que propicia o desenvolvimento de nosso relacionamento com ele, nos levando a conhecê-lo melhor, a admirá-lo mais, e ao desejo profundo de nos tornarmos cada vez mais parecidos com nosso grande Pai. Portanto, quando não nos conformamos com este mundo, mas buscamos a transformação pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.1), alcançamos a mente de Cristo (1 Co 2.16; Jo 15.7) de modo a orarmos cada vez  melhor de acordo com aquela que é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2). 
 
Vejamos agora os princípios da boa oração ensinados por Jesus (Mt 6.9-13):
 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. (Mateus 6:9-13)
 
"Pai nosso que estás no céu", aprendemos aqui que nossas orações devem ser dirigidas diretamente a Deus, reconhecendo sua posição suprema em poder, sabedoria e glória, o que nos remete a necessidade de, humildemente, reconhecermos nossa finitude diante do Eterno, nossa fraqueza diante do Todo-poderoso, nossa baixeza diante do Altíssimo, nossas imperfeição diante do Santíssimo, nossa dependência diante do Criador e Provedor de toda natureza. E é maravilhoso que Jesus nos ensine a chamar a Deus de Pai! Pois, naquele tempo, isto era algo fora de série. Um conceito revolucionário. Assim, Jesus nos revela o íntimo grau de relacionamento que podemos e devemos ter com o Ser mais poderoso do Universo, cujo trono está no céu e que faz da terra, o estrado dos seus pés (Is 66.1, ver também Jo 1.12).
 

"Santificado seja o teu nome", Jesus nos ensina que orar implica no reconhecimento de sua majestade numa atitude de adoração. Jesus está lembrando o mandamento que diz que não devemos usar o nome de Deus em vão, pois é santo e deve ser honrado como tal. A intimidade de chamar a Deus de Pai não deve nos levar a uma atitude irreverente em relação ao seu santo nome. Muitos cristãos, infelizmente, de modo descuidado e desrespeitoso, invocam a Deus a torto e a direito em expressões triviais que jargões e cacuetes.

 

"Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu"; E ainda tem gente que pensa que orar e tentar mudar a vontade de Deus! Orar não é tentar fazer com que Deus se curve a nossa vontade. Jesus não nos ensina a orar dizendo: "Seja feita a minha vontade". Não é o nosso reino que devemos buscar, mas o de Deus (Mt 6.33). Orar não é exigir e nem é reivindicar, trantando a Deus como se ele fosse o serviçal gênio da lâmpada. Pois, só exige e reivindica quem entende que está sendo lesado na sua condição de direito e só deve cumprir a exigência e atender a reivindicação aquele que está em débito. Nem nós temos direito diante de Deus e nem Ele está em débito conosco. Os que ensinam a exigir de Deus também ensinam que orar segundo a vontade Deus seria um ato de fraqueza de fé que anularia a oração. Noentanto, o próprio Senhor Jesus, no Getsemani, orou assim: "Pai, se possível, passa de mim este cálice; mas não seja feita a minha vontade, mas a Tua" (Lc 22.42). E o Apóstolo João afirma: "esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segunda a sua vontade, ele nos ouve" (1 Jo 5.12). Não temos garantia de respostas às orações que não estejam de acordo com a vontade de Deus. Jesus deixou claro que existem condições a serem safisfeitas: "Se permancederdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito" (Jo 15.7). E o Apóstolo Paulo diz que "não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis... porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos" (Rm 8.26,27). Devemos confiar que Deus sabe o que é melhor para nós (Pv 16.25). O Apóstolo Paulo orou 3 vezes para ser curado do seu espinho na carne, mas, em vez da cura, recebeu a revelação do Senhor de que aquela enfermidade visava à um bem maior, a saber, a manutenção de sua humildade (2 Co 2.7-10). Sabemos também que Jesus não atendeu a oração de Marta e Maria que pediram que Jesus viesse logo para curar a seu irmão que estava muito enfermo (Jo 11.3). Jesus, propositalmente, demora-se dois dias no lugar onde estava (Jo 11.6), chegando a casa delas apenas 4 dias após a morte de Lázaro, pois ele tinha um plano diferente a realizar!

 

"O pão nosso de cada dia nos dá hoje";  Repare que é o pão, e não o iate nosso de cada dia nos dá hoje! O Apóstolo Tiago é categórico a respeito deste assunto, quando diz: "pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjar em vossos prazeres" (Tg 4.3). "Não ameis o Mundo e nem as coisas que há no mundo" (1 Jo 2.15). Existe sempre o risco de amarmos mais ao Mundo e as riquezas do que a Deus. Não podemos usar a Deus como um meio para realizarmos nossos sonhos e ambições materialistas. Pedimos o pão, pedimos o necessário para hoje, sem ansiedades em relação ao amanhã, pois confiamos nossa vida inteira nas mãos do Bom Pastor que sabe muito bem cuidar de suas ovelhas guiando-as às águas tranquilas e aos pastos verdejantes (Sl 23; Mt 6.24-34; Jo 10 e Fl 4.19).

 

"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"; Outro princípio elementar da boa oração é a confissão de pecados. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9). Mas o que busca o perdão, deve também estar disposto a perdoar. Uma vez, um irmão na fé, me fez uma pergunta estranha. Ele queria saber se eu orava toda a oração do "Pai Nosso". Eu disse que sim.  Então, meu amigo finalmente abriu o jogo, quando perguntou: "Mas mesmo aquele trecho que diz:  'assim como nós perdoamos aos nossos devedores'"? Assim como este meu amigo, tem muito cristão com sérias dificuldades diante deste trecho da oração. Mas é óbvio que deixar de orar este trecho não muda o fato de que o Senhor espera que o perdão recebido se transforme em perdão repartido, se não... Lembremos do ensino da  parábola do credor incompassivo que tendo recebido perdão de sua imensa dívida, na sequência, não perdou aquele lhe devia bem menos, e, no final das contas, acabou sendo questionado por este ato incongruente, vindo a ter o seu perdão cancelado, pois foi tratado do mesmo modo incompassivo com que tratou ao que lhe devia (Mt 18.23-35). Como bem ensinou Jesus no Sermão do Monte: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" (Mt 5.7) e "...perdoai e sereis perdoados... porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também" (Lc 6.37,38). "Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo"(Tg 2.13).  

 

"Não nos deixe cair em tentação"; Jesus nos ensina a orar buscando uma vida de santificação. A dádiva do perdão dos pecados não deve nos servir de incentivo a prática do pecado. "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? ... considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus... Porque o pecado não terá domínio sobre vós... e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça... Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna" (Rm 6). Neste sentido, o Apóstolo Paulo ainda ensina aos crentes dizendo-lhes: "não vos sobreveio tentação que nã fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além da vossas forças, pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar" (1 Co 10.13).

 

"Mas livra-nos do mal";  Ser livre do mal significa ser livre de cair em tentação, ou seja, escapar das ciladas de Satanás e da corrupção e concupiscência que há no mundo (2 Pe 1.4), mundo este que jaz no maligno (1 Jo 5.19) e que batalha para separar o homem de Deus. O mal aqui é de caráter espiritual e significa aquilo que é maligno, uma referência ao príncipe deste mundo (Jo14:30 e 16:11). Jesus mesmo orou   pedindo ao Pai que seus seguidores não fossem tirados do mundo, mas que fossem livres do mal. (Jo 17: 15). Ainda que estejamos no mundo, sujeitos a aflições (Jo 16.33; At 14.22), o maligno não nos deve tocar (1 Jo 5: 18). Devemos orar por proteção para que os intentos de Satanás sejam frustrados e não nos atinjam. Jesus venceu o mundo maligno (Jo 16: 33) e nós também, mesmo em meio as tribulações, somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou (Rm 8: 37).

 

"Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém"; A oração deve incluir o indispensável elemento da adoração. Aliás, a oração deve ser regada de adoração. Esta oração começa santificando o nome de Deus e termina com declarações de exaltação ao Seu senhorio supremo. Fomos criados para a glória de Deus e devemos fazer todas as coisas para a Sua glória (1 Co 10:31). "Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Ap 5.13)!

 

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

www.escatologiacrista.blogspot.com


Boletim da Imel de Mirandópolis - 03/05/09

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

carta de agradecimento que o Sorrindo com Cristo enviou para a Imel de Mirandópolis pelo enviou da Binha na expedição missionária a Ceilândia

Clique aqui para ler a carta de agradecimento que o Sorrindo com Cristo enviou para a Imel de Mirandópolis pelo envio da Binha na expedição missionária a Ceilândia. A carta inclui também diversas fotos do evento.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

As Duas Testemunhas de Apocalipse

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

O Livro de Apocalipse está repleto de simbolismo e figuras de linguagem, de modo que a pergunta certa a se fazer diante do texto não é “O que é isto?”, mas, sim, “O que significa isto?” Conhecemos muito bem o poder de uma figura de linguagem. É comum que uma pessoa se esqueça de um sermão, mas a ilustração e a imagem permanecem! Jesus, visando ser pedagógico, de uma maneira nova, criativa, dinâmica, dramática e viva, nos apresenta um livro repleto de figuras, fazendo revelações a respeito de si mesmo, da realidade espiritual, do Reino de Deus e dos propósitos soberanos de Deus em relação à história humana. Tais revelações não são novidades para aqueles que conhecem o restante do Novo Testamento, pois são muito mais uma confirmação de tudo aquilo que Jesus ensinou em seu ministério terreno. Portanto, o Apocalipse deve ser entendido à luz dos demais livros da Bíblia.

Falando agora especificamente sobre o trecho que trata das Duas Testemunhas, ou seja, Ap 11.1-14, levantamos a questão: "O que significam as Duas Testemunhas?" Bem, algumas características registradas no versículo 6, como cerrar os céus para que não chova e o ato de transformar a água em sangue nos remetem a Elias e a Moisés. Sabemos que Moisés representa a Lei e que Elias representa a linhagem dos Profetas. Jesus costumava referir-se ao Antigo Testamento chamado-o de “A Lei e os Profetas” ( Mt 7:12; 22:40 e Lc 16:16).

Além disto, Jesus também referiu-se as Escrituras Sagradas ou “a Lei e os Profetas” como suas Testemunhas: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5:39). Os Evangelhos também falam da aparição de Moisés e Elias no episódio da transfiguração de Jesus. Sendo assim temos muitos indícios dentro da própria Bíblia e principalmente nas Palavras do próprio Jesus para concluir que as Duas Testemunhas de Apocalipse 11 sejam uma referência às Escrituras Sagradas do Antigo Testamento que testificam de Jesus e que se cumprem em Cristo. Não cometeríamos nenhuma heresia em incluir as Escrituras do Novo Testamento entre as Escrituras Sagradas, pois elas, de maneira ainda mais clara, testificam de Jesus. O Apóstolo Paulo disse que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, fazendo alusão as Escrituras do Novo e do Antigo Testamentos. (Ef 2:20; 3:5 e ver também uma referência à estas duas testemunhas no próprio livro de Apocalipse 18:20).

Tendo compreendido que as Duas Testemunhas do Livro de Apocalipse são uma representação das Escrituras Sagradas, ou seja, a Lei e os Profetas, simbolizados ali por Moisés e Elias, devemos lembrar também que Jesus se dirigiu a toda a coletividade de seus discípulos incumbindo-os de serem suas testemunhas (At. 1.8). Os cristãos são os pregadores da Palavra e os porta-vozes das Escrituras. Não apenas as Escrituras, mas também os discípulos testificam de Jesus Cristo. A Igreja é o Corpo vivo de Cristo aqui na terra. A igreja recebeu o legado de Moisés, dos profetas e dos apóstolos. A Igreja tem como missão encarnar as Escrituras Sagradas e dar continuidade ao testemunho de Jesus na plenitude do Espírito Santo. Os discípulos de Cristo receberam a promessa do Pai que os capacita a serem testemunhas de Jesus. O texto de Ap 11.7 diz: “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar”, ou seja, estas Duas Testemunhas cumprem cabalmente a sua missão, concluindo o seu testemunho. Isto nos faz lembrar de que “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5:18), e, no mesmo livro, lemos: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” ( Mt 16:18). E Jesus também profetizou sobre o cumprimento bem sucedido do testemunho do Evangelho do Reino a todas as nações ao dizer: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mt 24:14). Perceba na descrição de Apocalipse 11, que as Duas Testemunhas estão em território hostil, mas mesmo assim elas conseguem sobreviver o tempo suficiente para cumprirem a sua missão. Pois elas possuem uma proteção especial. Elas não são um joguete nas mãos dos homens malignos. Somente após terem cumprido sua missão é que elas são entregues à morte. Isto nos remete não só ao testemunho da Igreja como um todo, como também ao testemunho individual de cada crente. Lembremos, por exemplo, do Apóstolo Paulo, que, diversas vezes no decorrer de seu ministério, foi miraculosamente livre da morte, mas chegou um dia em que ele sabe que será entregue à morte, quando afirma: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Tm 4:7). Observe que Paulo só é entregue à morte após o cumprimento de sua carreira de testemunha de Cristo! Assim também é com a Igreja que, durante toda a sua história, sofreu muitas perseguições e não foram poucas as tentativas de destruir com as Escrituras e de se acabar com o Cristianismo. O Cristianismo tem sobrevivido a tudo e a todos e tem chegado aos nossos dias como a maior de todas as religiões da face da terra. As testemunhas são mais do que vencedoras em Cristo Jesus (Rm 8). Elas estão identificadas com Cristo não apenas no seu sofrimento e morte, mas também em sua ressurreição e glória! A igreja primitiva que sofreu tamanha oposição e perseguição, contemplando a morte dos apóstolos e de boa parte dos seus irmãos em Cristo podia entender muito bem este texto, como também se identificar com estas Duas Testemunhas, encontrando neste texto um encorajamento muito grande da parte de Deus, que Reina Sobre Todos e que tem o Mundo inteiro e a história de toda a humanidade em Suas Mãos. Não é à toa que os testemunhos históricos afirmam que o Imperador Nero ficava perplexo com o fato dos cristãos morrerem na arena com um sorriso nos lábios.

Portanto, os cristãos, em vez de ficarem nutrindo esperança de uma vinda literal de Moisés e Elias, devem assumir o seu papel de porta vozes das Escrituras Sagradas, com vistas ao cumprimento de sua vocação como testemunhas de Cristo. Pois, Moisés, Elias e os apóstolos, juntamente com todos os heróis da fé, já fizeram a sua parte, cumprindo com fidelidade a missão que lhes competia. O seu testemunho já foi dado, agora, ainda falta o nosso. Sendo assim, cabe a cada um de nós, dar seqüência a esta missão, assumindo o nosso papel de testemunhas de Jesus Cristo, de sal da terra e luz do mundo!

Boletim da Imel de Mirandópolis - 26/04/09

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Boletim da Imel de Mirandópolis 19/04/09

clique aqui para ler o boletim do dia 19 de Abril de 09.

Proposta Indecente

"Proposta Indecente"


A história que veremos a seguir exibe uma curiosa semelhança temática com o famoso filme "Proposta Indecente", que descreve o conflito de um casal em dificuldades financeiras que recebe uma proposta tentadora de um milionário, que oferece um milhão de dólares para passar uma noite com a esposa. Podemos estabelecer um paralelo entre a ação daquele milionário e a do poderoso faraó egípicio da época do Êxodo, pois ambos estão se favorecendo de sua posição de poder para explorar e tirar proveito dos que estão numa condição de fragilidade, e ambos também querem, com astúcia, negociar.

Estudaremos algumas das artimanhas de Satanás, o deus deste século (2 Co 4.4), para seduzir e cativar as pessoas, com o intuito de conhecer melhor o seu modus operandi. Pois não devemos nem ignorar as suas estratégias e nem os seus intentos (2Co 2.11). Lemos que Moisés foi à presença de Faraó com a incumbência divina de libertar o povo hebreu da escravidão do Egito (Ex 5.1). Faraó não se mostra nem um pouco disposto a abrir mão dos seus escravos (Ex 7.14). Vem, então, uma sucessão de pragas sobre o Egito. Após a quarta praga, em apuros, Faraó manda chamar Moisés, mas não se engane, pois ele não está disposto a obedecer a ordem de Deus, o que ele quer é negociar. Agindo assim, com tamanha astúcia, ele parece um tipo de Satanás. Cuidado! Não negocie com o Diabo! Veja a proposta que ele faz: 

"ADORA A DEUS NESTA TERRA" (Ex 8.25)


Repare que faraó está tentando pechinchar, pois, quando não consegue conquistar tudo, vai tentar agarrar o que for possível. Ele está buscando diminuir os requerimentos de Deus. Faraó não quer perder o domínio sobre os seus escravos. Ele está como que dizendo: “continuem me servindo, continuem presos ao Egito, e tudo bem se vocês quiserem adorar a Deus também. É uma proposta para servir a dois Senhores, algo que Jesus condenou abertamente (Mt 6.24). É uma proposta indecente! 

"NÃO VADES MUITO LONGE" (Ex 8.28)



Como quem diz: “fiquem nas imediações, fiquem por aí, dando bobeira, não precisam se afastar, não há perigo algum, vocês são fortes, não precisam fugir..." Faraó propõe isto, pois sabe muito bem o poder de sedução do Reino do Egito”. O Egito não representa apenas dor e sofrimento, pois oferece também muitos atrativos. Faraó pressente que o povo hebreu ainda vai sentir saudades da exuberância, da glória e das iguarias do Egito. Tais atrativos acabarão mesmo por levar o povo a desprezar o próprio maná do céu  (Nm 11.4-6). O sapo parece usar estratégia semelhante para apanhar o mosquito, pois ele bem sabe o alcance de sua língua, coisa que o mosquito desconhece. "Não deis lugar ao diabo" (Ef 4.27). À semelhança de José, que correu do assédio da mulher de Potifar (Gn 39), devemos fugir para longe das paixões da mocidade como também adverte o Apóstolo Paulo (2Tm 2.22; ver também Pv 4.15; Sl 34.14).


"IDE SOMENTE OS HOMENS" (Ex 10.11)


Quando não consegue manter todos presos ao Egito, faraó tenta pelo menos manter alguns. Pode ser que ele esteja insinuando que isto de adorar a Deus é coisa só para homens, ou só para mulheres, ou, ainda, que isto é coisa de criança, pois os adultos têm coisas mais importantes a fazer. Pode ser também que ele esteja sugerindo que não é necessário que todos da família prestem culto e sirvam ao Senhor, bastando apenas que alguns façam isto em nome de todos. Satanás é ardiloso na promoção do jugo desigual, sabendo que se um fica preso, acaba atraindo e puxando o que está livre (2 Co 6.14). Mas Josué disse: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15)! Não apenas parte da família, mas toda a casa! Este é um dos propósitos de Deus, que o diabo tenta impedir de todas as formas.

"FIQUEM OS VOSSOS REBANHOS" (Ex 10.24)


Eis aqui o último reduto de Satanás, a sua última trincheira: "Os bens materiais". O dinheiro é a última coisa de que ele abre mão. Ele insiste, até o fim, buscando manter o dinheiro e as riquezas sob o seu domínio, para que sirvam aos seus propósitos e não aos de Deus. É por esta razão que se diz que a última coisa a se converter num homem é o "bolso". “pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6.10).

 
Vimos, assim, como faraó, tipificando Satanás, tentou impedir, de diversas maneiras, que o povo fosse liberto para adorar e servir a Deus de modo pleno e integral. Tudo o que o diabo oferece é com intuito de escravisar, matar e destruir (Jo 10.10).  Mas vimos também, na grande libertação da Páscoa, como Deus, por amor (Rm 5.8),  é capaz de mover céus e terra (e até mesmo o mar!) para salvar e libertar os oprimidos e cativos (Cl 1.13). Olhando para a Cruz de Cristo, vemos o alto preço que o Pai pagou para a redenção humana, para que todos possamos experimentar a liberdade e a vida abundante que só encontramos em Deus (Jo 10.10).

 

Bispo José Ildo Swartele de Mello




quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Celebrando a Páscoa do Senhor

Papai Noel, presentes, coelho e ovos de chocolate, entre outros interesses comerciais, se instalaram em torno das duas mais importantes festas cristãs, desviando a atenção do povo do verdadeiro sentido do Natal e da Páscoa. A pessoa de Jesus Cristo tem sido relegada a segundo plano e, em muitos casos, até mesmo esquecida. Mas não é o Natal a festa que comemora o nascimento de Cristo e a Páscoa a que celebra sua obra redentora? Não permitamos, portanto, que o materialismo e o secularismo nos desviem do Centro, do Verdadeiro Alvo. Neste Domingo de Páscoa, vamos celebrar o amor de Deus, que enviou Seu Filho Jesus para dar sua própria vida para nos salvar da condenação do pecado. Vamos celebrar a verdadeira Páscoa do Senhor, Sua morte e ressurreição! Vamos celebrar a vida que encontramos em Jesus! Vamos avivar nossa fé em Cristo e em Suas promessas! Venha com sua família participar conosco de uma festa de celebração da verdadeira Páscoa do Senhor Jesus Cristo, num clima de muita alegria e numa atmosfera de amor!

Domingo de Páscoa, dia 12 de Abril, a partir das 18 h. R. Das Rosas, 455 – Bairro de Mirandópolis, São Paulo – SP.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

DOAÇÕES


A Todo Mundo Feliz realizará dia 09/05
um bazar beneficente em Santo André.
Precisamos de doações urgentes.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Poesias de Manuel Bandeira à luz de Eclesiastes

Por José Ildo Swartele de Mello


Clique aqui para assistir uma apresentação em PowerPoint desta mensagem.


Manuel Bandeira


Andorinha - Manuel Bandeira



Andorinha lá fora está dizendo: — "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa . . .

Observe que a expressão "Passei a vida à toa" é semelhante a “correr atrás do vento” do Livro de Eclesiastes. O pessimismo e a frustração de Bandeira também são compartilhados pelo autor de Eclesiastes, pelo menos, até certo ponto, porque, ao contrário de Bandeira, o autor de Eclesiastes não termina por aí, como veremos mais abaixo. Mas vamos continuar um pouco mais falando a respeito do pessimismo de Bandeira expresso em outros versos seus.

Pneumotórax - Manuel Bandeira



Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico:


_ Diga trinta e três.

_ Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .

_ Respire....

_ O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

_ Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

_ Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

O pessimismo e a frustração de Bandeira estão bem evidentes também nas seguintes frases de seu famoso poema “Pneumatotórax”: “A vida inteira que podia ter sido e que não foi” e “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino”. A vida foi uma frustração e a morte está batendo a porta, e, para o autor, a morte põe fim a tudo. Ele não cogita de Deus e nem da eternidade. Ele não tem esperança. Para ele, a única coisa que resta a fazer é “tocar um tango argentino”. Notar que o tango é geralmente uma canção triste e melancólica. A frase "a vida inteira que podia ter sido e que não foi" é bem diferente da de Paulo que quando soube que iria morrer disse: "Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé" (2 Tm 4.7). Paulo estava certo de ter combatido o bom combate e completado a carreira ou corrida de sua vida. Não importa se a corrida é longa como uma maratona ou curta como a de 100 metros, mas a diferença estar em completar devidamente a nossa corrida. Que diferença entre os que correm como cristãos e os que correm sem Deus neste mundo. Diante da morte é que se vê quem é quem. Paulo, confiante de ter vivido uma vida segundo o propósito divino, está seguro em relação a recompensa que lhe aguarda: "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia" (2 Tm 4.8).


Poema do Beco - Manuel Bandeira



Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?


_ O que eu vejo é o beco. 

No Poema do Beco, Bandeira, com maestria, contrasta “a paisagem, a glória, a baía e a linha do horizonte” com o “beco”. O primeiro verso é mais longo para falar da glória e a vastidão da paisagem da baía, em contrapartida, o segundo e último verso é curto, para ressaltar os limites e as restrições de existência humana. Outro contraste interessante se observa no uso das vogais. Há uma predominância de vogais abertas no primeiro verso enquanto que, no segundo verso, predominam as vogais fechadas.  

 

Pasárgada - Manuel Bandeira



Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que eu nunca tive

 

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

 

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

-- Lá sou amigo do rei --

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Já, em “Pasárgada”, Bandeira descreve a utopia hedonista de um existencialista que vive cogitando apenas dos prazeres carnais. O curioso é que, até mesmo em Pasárgada, o poeta pressente a tristeza, e, deprimido, tem vontade de se matar. “Pasárgada” não é suficiente para o homem que foi criado à imagem de Deus e que tem potencial para o Eterno. Pois só o Eterno pode preencher o vazio, satisfazer plenamente e dar sentido a vida.

 

O rei Salomão, em Eclesiastes, parece viver em “Pasárgada”, com a vantagem de que ele não é apenas amigo do Rei, pois, de fato, é o próprio Rei. Tendo o privilégio de usufruir de todos os prazeres e experiências que o poder, o sucesso e as riquezas podem proporcionar ao ser humano (Ec 2). Mas, mesmo assim, no final das contas, ele chega a conclusão de que a vida “debaixo do sol” é “vaidade”, “futilidade”, algo como “correr atrás do vento” (Ec 2.11).

 

A expressão “debaixo do sol” aparece 30 vezes em Eclesiastes, servindo para delimitar o campo de abordagem das considerações de Salomão a respeito da vida, ou seja, a vida vivida em termos do aqui e agora, sob o prisma existencialista, materialista e hedonista; sim, este tipo de vida sem Deus é que deve ser considerado vaidade. Este pessimismo é semelhante ao de Manuel Bandeira, com o diferencial de que Salomão não pára por aí, pois o seu propósito é levar-nos numa viagem que passa pela angústia da conclusão de que a vida materialista é mera vaidade, com o objetivo de preparar o caminho que nos conduz à uma busca mais profunda sobre nossa razão de ser e existir.

 

Salomão quer que "caiamos na real" para não nos iludirmos com os prazeres e conquistas do aqui e agora, a fim de que possamos elevar os nossos olhos para além do sol em busca do propósito real e transcendente de nossas existências. Pois a vida não se resume ao debaixo do sol. Deus existe e colocou o infinito no coração do homem (Ec 3.11), de modo que o efêmero não pode satisfazer aquele que tem vocação para o Eterno! Fomos criados por Ele e para Ele (Cl 1.16). Portanto, somente em Deus é que o homem pode encontrar o verdadeiro sentido de sua existência.

 

Salomão conclui Eclesiastes com a seguinte afirmação: “porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12.14). Pois se Deus existe, se há um dia de juízo final, se há um mundo porvir e se existe a ressurreição dos mortos, então, cada ato humano se reveste de valor e significado que vão muito além dos limites alcançados pelos raios do sol. À luz desta realidade espiritual, evemos ser “firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o nosso trabalho não é em vão” (1 Co 15.58), ou seja, a nossa existência não é vaidade sob o ponto de vista do “além do sol” e da perspectiva da eternidade.

 

Jesus resumiu a mensagem de Eclesiastes e a própria questão na seguinte frase: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8.36)

 

Poema Tirado de uma Notícia de Jornal - Manuel Bandeira



João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Se até em Pasárgada o amigo do rei encontra tristeza, o que dizer então de um "João Ninguém"? João Gostoso só é notícia quando morre tragicamente. Aquela música de Chico Buarque intitulada “Contramão” parece descrever uma cena semelhante, onde o operário acaba morrendo "na contramão atrapalhando o trânsito".

Bandeira, com maestria, descreve no primeiro verso a triste e dura vida do "João Gostoso". Repare que o primeiro verso é longo em relação aos demais, principalmente em relação aqueles versos curtos de uma só palavra que descrevem os momentos de prazer do indivíduo: "bebeu", "cantou" e "dançou". "João" é nome comum. Nada se diz a respeito de seu sobrenome. "Gostoso" é o apelido. Em outras palavras trata-se de um "João Ninguém" para o mundo da mídia que costuma exaltar e noticiar apenas as grandes personalidades. O João Gostoso só aparece na mídia quando morre. Muito provavelmente porque sua morte foi um suicídio, fruto de seu desespero, e também porque aconteceu num lugar chique! Ele viveu no morro, morou num barracão sem número, mas morreu na "Lagoa Rodrigo de Freitas". A tal "lagoa", sim, tem nome e sobrenome! Não é de admirar que Bandeira em tão poucas linhas consiga retratar a tristeza de toda uma vida, que simboliza a de tantos, e, não apenas isto, mas também a crueldade e a injustiça de nossa sociedade?! Até aí, temos de concordar com Bandeira. Ele é feliz no diagnóstico, mas para por aí. Bandeira não apresenta o remédio e nem nos dá esperança, ele apenas descreve, de um modo poético, o grave problema.

 

No entanto, o autor de Eclesiastes vai mais adiante, primeiro, por ressaltar que a aparente vantagem do rico sobre o pobre se desfaz diante da morte que iguala a todos: "Tudo caminha para um mesmo lugar: tudo vem do pó e tudo volta ao pó" (3.20); a tragédia da morte leva a conclusão de que é melhor ser um pobre vivo do que um rei morto (9.4). Além disto, Eclesiastes nos quer conduzir a Deus: "Lembra-te do teu criador!" (Ec 12.1). Realmente, a vida vivida sem Deus é caracterizada por injustiças, sofrimentos, tristezas, e desespero, não parecendo fazer sentido. Mas, em Deus, encontramos salvação, paz, alegria e esperança. Passamos a encarar tudo na vida a partir do prisma da eternidade, o que dá ânimo e força para viver melhor a vida no presente, pois cada copo com água que venhamos a dar a alguém se reveste de significado eterno, não é vão no Senhor: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo d’água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mt 10:42 e ver também 1 Co 15.8). Encontramos em Deus nossa vocação como agentes do Reino de Deus, como testemunhas de Cristo (Mt 4.19; Mt 28.18-20; At 1.8).

 

O autor de Eclesiastes fala da vaidade da vida vivida debaixo do sol. Pois, se Deus não existisse e se tudo se resumisse ao aqui e agora, então, a vida não faria sentido e tudo seria vaidade. Já, Jesus, em Mc 8.36, resume a mensagem de Eclesiastes, fazendo alusão ao verso 1.3, dizendo: “Que proveito há em alguém ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”. Verdadeira paz e felicidade só encontramos em Deus, como bem ressaltou Agostinho de Hipona: "Tu nos fizestes para Ti, ó Deus, e inquieta estará a nossa alma até que repouse em Ti"... "Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena"!

 

Jesus oferece uma vida abundante (Jo 10.10). Paulo, em 1 Cor 15.58, concluindo o capítulo que trata sobre a esperança da ressurreição, encoraja os cristãos a continuarem vivendo uma vida plena, pois vale a pena devido a grande recompensa final: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é em vão”. Sendo assim, não é em vão e nem é é à toa a vida e o trabalho de alguém que está em Cristo. E, neste mesmo sentido, o autor de Eclesiastes termina seu livro dizendo que é dever de todo homem temer a Deus, advertindo para o dia do Juízo Final. Diante desta perspectiva, sob o prisma da eternidade e das promessas bíblicas, cada ato cristão, desde o mais singelo como dar um copo d’água para alguém, se reveste de grande significado. Nisto vemos como uma dona de casa cristã, por exemplo, pode viver uma vida abundante, cheia de fé, dando testemunho de Cristo no convívio com seu marido, na criação de seus filhos, na caridade praticada aos vizinhos dentro de suas próprias possibilidades. Sua vida é um sinal do Reino! Não podemos nunca desprezar a manifestação do Reino de Deus nas pequenas coisas da vida como aprendemos na parábola que compara o Reino a um grão de mostarda (Mt 13). Não ignore o potencial daquilo que parece ínfimo, pois é do pequeno que se faz o grande! Cinco pães e dois peixinhos são insignificantes para alimentar uma multidão de mais de 5 mil pessoas, mas Jesus os recebe com gratidão, como sinais da providência divina, e bem sabemos qual o resultado disto! A grandeza da existência humana não pode ser devidamente apreciada sob o prisma materialista, pois só da perspectiva divina é que pe possível dimensionar o valor de cada ato humano.

 

Então, vivamos uma vida que realmente valha a pena, de tal modo que, no final, sejamos capazes de dizer como o Apóstolo Paulo: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé" (2 Tm 4.7). Busquemos o Reino de Deus em primeiro lugar, ajuntando tesouros no céu, dando testemunho cristão em todas as circunstâncias. Lembrando que, quer estejamos na escola, quer no ambiente de trabalho, ou em qualquer outro lugar, não estamos ali por acaso ou somente para aprender, conquistar nosso ganha pão ou por mera distração, pois o motivo maior é o de servirmos como testemunhas de Cristo em todo tempo e lugar, como uma presença abençoadora, cumprindo nossa missão como sal da Terra e luz do Mundo (Mt 5.14-16), conscientes de que uma vida à serviço do Criador jamais será à toa (1Co 15.58).

 

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello


 

Veja também:



 

 

 

quinta-feira, 2 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Domingo de Ramos!

 Domingo de Ramos

A Natureza do Reino de Deus

Bispo Ildo Mello



É uma pena ver que boa parte dos evangélicos ignora o Domingo de Ramos. Alguns, em sua ignorância, chegam até a alegar que isto é coisa de católicos. Por estas e outras, as celebrações evangélicas da Páscoa estão cada dia mais pobres, limitando-se à comemoração do Domingo da Ressurreição. Assim, não apenas o Domingo de Ramos, mas até mesmo a Sexta-Feira da Crucificação está sendo ignorada. Um absurdo, pois o tema central do Evangelho é a mensagem da cruz (1 Co.2.2).

Se pensarmos bem, até mesmo por uma questão pedagógica, seria interessante aproveitarmos melhor as datas festivas para comunicar o seu significado. Por exemplo, um culto temático, cujas canções, encenações, decoração, ramos, leituras bíblicas e mensagem estivessem focadas  no evento, contribuiria em muito para a fixação dos ensinamentos deste que foi o primeiro dia da Grande Semana de Jesus na Terra. 

Quando Jesus iniciou o seu ministério, ele proferiu a seguinte frase: “Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2.4). Mas, agora, é diferente! Três anos e meio depois, finalmente, a sua hora havia chegado! O grande dia da manifestação do Messias prometido! 

Jesus acabara de realizar o maior de seus milagres, ressuscitando a Lázaro, cujo corpo putrefato após quatro dias de sua morte fora milagrosamente vivificado! A fama de Jesus se espalhou por toda a Jerusalém. O povo, maravilhado, viu naquele milagre o sinal do Messias. 

Então, uma multidão entusiasmada começa a celebrar a chegada do Grande Rei. Pessoas pobres improvisam a criação de um tapete estendendo seus mantos e ramos de palmeira pelo caminho em que Cristo havia de passar, e exclamavam com imenso júbilo, dizendo: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas” (Mt 21.9; Lc 19.38)! 

Os fariseus, incomodados, pediram que Jesus interrompesse aquela adoração, mas Jesus respondeu: “se eles se calarem, até as próprias pedras clamarão”, visto ser aquele um momento sem igual, quando as profecias messiânicas estavam se cumprindo: “alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo, vitorioso e humilde, montado num jumentinho” (Zc 9.9)! 

Interessante que ele tenha entrado em Jerusalém montado sobre um jumentinho, algo incomum para um rei, pois os reis faziam questão de ostentar poder e glória. Jesus, se quisesse, poderia ter se imposto aos homens pela força do seu poder, mas não quis que fosse assim. “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zacarias 4.6). Ele não quis se impor pela força, pois decidiu cativar pelo amor (Jo 12.32-33)! Sendo o próprio Deus, esvaziou-se de sua glória para identificar-se com nossa fraqueza (Fl 2.7), revelou-se como servo sofredor (Is 53), que carrega a sua cruz  (Jo 13.1; 19.17) e dá a vida pelos seus amados (Rm 5.8). E, mesmo quando é chegada a hora de apresentar-se como Rei, em sua entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, Jesus não se apresenta montado num cavalo portentoso e cheio de pompa e nem estava acompanhado de um forte e ameaçador exército, mas escolheu entrar de maneira humilde e mansa montado num jumentinho. 

Sendo Senhor, Jesus foi humilde e assumiu a condição de servo, chegando até a lavar os pés dos discípulos (Jo 13.4-5). Ele não foi dominador e nem tirano, mas procurou cativar pelo exemplo. Não constrangeu os seguidores pela força, pois seus discípulos sempre foram livres para escolher e até mesmo desistir de segui-lo. Portanto, Jesus jamais quis impor-se pela força, antes escolheu atrair seguidores através de seus atos de amor, que é uma eterna fonte de inspiração vocacional (2 Co 5.14).  

O Reino de Cristo é um reino de libertação! Seguindo a orientação de Jesus, os discípulos foram buscar o jumentinho. Os jumentos estavam amarrados. Os discípulos começam a libertá-los das amarras. Os donos surgem reclamando, mas não causam maior resistência quando descobrem que os discípulos estavam à serviço do Senhor. Os jumentos estavam presos aos donos, mas o Senhor é bem mais poderoso que qualquer dono! Por vezes, os homens se vêem aprisionados e oprimidos por distintos “donos”. A força humana parece pequena diante dos poderosos donos, mas maior é o Senhor para nos livrar! O liberto começa, então, uma jornada gloriosa à serviço do Rei dos reis e do Senhor dos senhores!

O Reino de Jesus é de Paz. Jesus não vem com armas. Nenhuma gota de sangue é derramada. Nem os animais experimentam qualquer espécie de sofrimento. É notável que Jesus tenha tomado o cuidado de que o jumentinho viesse acompanhado de sua mãe de modo que nem ele e nem sua mãe padecessem a dor da separação visto ser o jumentinho ainda muito jovem. O Reino de Cristo promove restauração dos propósitos originais de Deus para o bem estar de toda a Criação. É um reino de harmonia e paz!

O Reino de Jesus não é um reino de pompa. Em sua entrada triunfal, não há carruagem, não há nenhum tapete vermelho estendido em seu caminho, mas apenas folhagens típicas da região e mantos surrados de operários pobres.  Jesus desprezou a fama, a riqueza e a glória deste mundo, demonstrando que o valor da vida não reside em nada disto. 

O Reino de Jesus é também um reino de muita alegria! Ele veio trazer vida abundante (Jo 10.10)! A chegada de Jesus foi motivo de alegria para adultos e crianças, que, eufóricos, exaltaram o Grande Rei! 

O reino de Jesus é de natureza espiritual. Para frustração da grande maioria do povo que aguardava um Messias Político que libertaria Israel do domínio Romano, ao entrar como Rei em Jerusalém, Jesus não se encaminha na direção do Palácio de Herodes ou de Pilatos. Mas, em vez disto, é visto entrando no templo! E foi exatamente ali que ele começou o exercício de seu senhorio. Com autoridade, ele expulsou os mercenários e mercadores do templo. 

A revolução que Cristo veio promover é de caráter espiritual. Começa com a santificação do templo. Tem um começo tímido e pequeno como um grão de mostarda, mas não subestime o seu poder de germinar, crescer e se espalhar por toda a Terra! Após a purificação, Cristo assume o seu lugar no templo, e começa a promover cura e salvação gratuita a todos que passaram a ter livre acesso ao templo. A Igreja é o principal agente do Reino de Deus. Mas, para ser fiel a sua missão, ela precisa ser purificada dos mercenários que exploram a fé do povo para benefício próprio. Foi o zelo de Jesus pela santificação do templo que produziu a ira dos lideres religiosos que viam em Cristo uma séria ameaça aos seus interesses mesquinhos e escusos. 

E é por seu grande amor que Jesus está entrando em Jerusalém, pois ele bem sabe que está a caminho da Cruz. Ele está disposto a dar sua vida para salvar os que estão condenados ao castigo eterno (Jo 1.29; Rm 8.1). Jesus, o justo, na Sexta-feira daquela mesma semana, assumiria o nosso lugar e cumpriria a nossa pena para que pudéssemos ter acesso ao perdão e a vida eterna (Is 53.5-11). 

Ao avistar Jerusalém, Jesus chorou com pena dela e disse: “Ah! Jerusalém! Se você pudesse reconhecer aquele que pode te trazer a paz! Mas, infelizmente, os teus olhos estão tapados” (Lc 19.41-42). Jesus lamentou a cegueira espiritual de Jerusalém e segue chorando hoje por tantos que ainda estão em trevas, ignorando e desprezando sua única esperança que é o Salvador. “Eles têm olhos para ver, mas não vêem, e ouvidos para ouvir, mas não ouvem, pois são uma nação rebelde” (Ez 12:1-2). 

Em outra ocasião, Jesus já havia feito um lamento semelhante: “Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes” (Lc 13.34)! Repare que Jesus quer acolher a todos como filhos, mas não contra a vontade deles, pois Deus respeita a vontade dos homens; Afinal, foi Ele mesmo quem lhes concedeu poder de decisão. Também observamos isto na parábola do Filho Pródigo, que tem liberdade para deixar a casa do Pai e ir para um lugar distante (Lc 15.12-13). O Pai se entristece com a atitude rebelde do filho. Ele não quer que o seu filho sofra, no entanto, respeita as escolhas do filho, pois não quer um filho contrariado em casa, e, esperançoso, ainda o aguarda de braços abertos (Lc 15.20).  Assim como o Filho Pródigo, nós também temos liberdade de ir e vir, de ficar longe e de regressar para casa. Assim como aquele povo de Jerusalém, diante de Jesus, cada um de nós tem também hoje a liberdade de exclamar “Hosana” ou de gritar “crucifica-o”.  Pilatos perguntou: “Que farei de Jesus chamado Cristo?” (Mt  27.22); a multidão decidiu crucificá-lo, Pilatos preferiu lavar as mãos... e nós o que faremos?

Lembremos que Cristo retornará a este Mundo, mas de modo diferente, ele virá com grande poder e glória montado sobre um cavalo branco e estará acompanhado de um exército celestial. Enquanto a primeira vinda inaugura um período de perdão, redenção e salvação, a segunda promoverá o juízo final contra o mal. A semente do Reino é plantada na primeira vinda, a plenitude do Reino será estabelecida quando o Rei retornar.  Ai daqueles que o desprezam nesta era presente e felizes os que o reconhecem como Senhor! ˜Hosana nas maiores alturas! Bendito o Rei  que vem em nome do Senhor!”
 
Bispo José Ildo Swartele de Mello
http://www.metodistalivre.org.br 


51a. Expedição do Sorrindo com Cristo


CARTA DE AGRADECIMENTO

São Paulo, 31 de março de 2009

A IMeL de Mirandópolis

Prezado Bispo José Ildo

Prezada diretora de missões sra. Marina

Queridos irmãos,

A Paz do Senhor Jesus Cristo!

Venho, por meio desta, agradecer o apoio que a IMeL de Mirandópolis ter dado a Srta. Débora Cristina Rodrigues da Silva, enviando-a debaixo de suas orações e ofertas, a fim de que ela possa participar na campanha de evangelização da 51a. Expedição do Sorrindo Com Cristo, que irá ocorrer entre os dias 17 à 22 de Abril de 2009, na cidade satélite de Brasília: Ceilândia.

O nosso reconhecimento e o nosso muito obrigado pela preciosa cooperação nesta missão de curto prazo.

Sintam-se participantes de todos os méritos deste trabalho.

E que Deus continue abençoando a IMeL de Mirandópolis.

Atenciosamente,

Tércio Obara

Sorrindo com Cristo

Rua Bertioga, 48 – Chácara Inglesa – SP/SP
Tel. 11 5853298 email: sorrindo@apcd.org.br
http://www.sorrindocomcristo.blogspot.com/