"Santificado seja o teu nome", Jesus nos ensina que orar implica no reconhecimento de sua majestade numa atitude de adoração. Jesus está lembrando o mandamento que diz que não devemos usar o nome de Deus em vão, pois é santo e deve ser honrado como tal. A intimidade de chamar a Deus de Pai não deve nos levar a uma atitude irreverente em relação ao seu santo nome. Muitos cristãos, infelizmente, de modo descuidado e desrespeitoso, invocam a Deus a torto e a direito em expressões triviais que jargões e cacuetes.
"Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu"; E ainda tem gente que pensa que orar e tentar mudar a vontade de Deus! Orar não é tentar fazer com que Deus se curve a nossa vontade. Jesus não nos ensina a orar dizendo: "Seja feita a minha vontade". Não é o nosso reino que devemos buscar, mas o de Deus (Mt 6.33). Orar não é exigir e nem é reivindicar, trantando a Deus como se ele fosse o serviçal gênio da lâmpada. Pois, só exige e reivindica quem entende que está sendo lesado na sua condição de direito e só deve cumprir a exigência e atender a reivindicação aquele que está em débito. Nem nós temos direito diante de Deus e nem Ele está em débito conosco. Os que ensinam a exigir de Deus também ensinam que orar segundo a vontade Deus seria um ato de fraqueza de fé que anularia a oração. Noentanto, o próprio Senhor Jesus, no Getsemani, orou assim: "Pai, se possível, passa de mim este cálice; mas não seja feita a minha vontade, mas a Tua" (Lc 22.42). E o Apóstolo João afirma: "esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segunda a sua vontade, ele nos ouve" (1 Jo 5.12). Não temos garantia de respostas às orações que não estejam de acordo com a vontade de Deus. Jesus deixou claro que existem condições a serem safisfeitas: "Se permancederdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito" (Jo 15.7). E o Apóstolo Paulo diz que "não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis... porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos" (Rm 8.26,27). Devemos confiar que Deus sabe o que é melhor para nós (Pv 16.25). O Apóstolo Paulo orou 3 vezes para ser curado do seu espinho na carne, mas, em vez da cura, recebeu a revelação do Senhor de que aquela enfermidade visava à um bem maior, a saber, a manutenção de sua humildade (2 Co 2.7-10). Sabemos também que Jesus não atendeu a oração de Marta e Maria que pediram que Jesus viesse logo para curar a seu irmão que estava muito enfermo (Jo 11.3). Jesus, propositalmente, demora-se dois dias no lugar onde estava (Jo 11.6), chegando a casa delas apenas 4 dias após a morte de Lázaro, pois ele tinha um plano diferente a realizar!
"O pão nosso de cada dia nos dá hoje"; Repare que é o pão, e não o iate nosso de cada dia nos dá hoje! O Apóstolo Tiago é categórico a respeito deste assunto, quando diz: "pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjar em vossos prazeres" (Tg 4.3). "Não ameis o Mundo e nem as coisas que há no mundo" (1 Jo 2.15). Existe sempre o risco de amarmos mais ao Mundo e as riquezas do que a Deus. Não podemos usar a Deus como um meio para realizarmos nossos sonhos e ambições materialistas. Pedimos o pão, pedimos o necessário para hoje, sem ansiedades em relação ao amanhã, pois confiamos nossa vida inteira nas mãos do Bom Pastor que sabe muito bem cuidar de suas ovelhas guiando-as às águas tranquilas e aos pastos verdejantes (Sl 23; Mt 6.24-34; Jo 10 e Fl 4.19).
"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"; Outro princípio elementar da boa oração é a confissão de pecados. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9). Mas o que busca o perdão, deve também estar disposto a perdoar. Uma vez, um irmão na fé, me fez uma pergunta estranha. Ele queria saber se eu orava toda a oração do "Pai Nosso". Eu disse que sim. Então, meu amigo finalmente abriu o jogo, quando perguntou: "Mas mesmo aquele trecho que diz: 'assim como nós perdoamos aos nossos devedores'"? Assim como este meu amigo, tem muito cristão com sérias dificuldades diante deste trecho da oração. Mas é óbvio que deixar de orar este trecho não muda o fato de que o Senhor espera que o perdão recebido se transforme em perdão repartido, se não... Lembremos do ensino da parábola do credor incompassivo que tendo recebido perdão de sua imensa dívida, na sequência, não perdou aquele lhe devia bem menos, e, no final das contas, acabou sendo questionado por este ato incongruente, vindo a ter o seu perdão cancelado, pois foi tratado do mesmo modo incompassivo com que tratou ao que lhe devia (Mt 18.23-35). Como bem ensinou Jesus no Sermão do Monte: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" (Mt 5.7) e "...perdoai e sereis perdoados... porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também" (Lc 6.37,38). "Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo"(Tg 2.13).
"Não nos deixe cair em tentação"; Jesus nos ensina a orar buscando uma vida de santificação. A dádiva do perdão dos pecados não deve nos servir de incentivo a prática do pecado. "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? ... considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus... Porque o pecado não terá domínio sobre vós... e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça... Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna" (Rm 6). Neste sentido, o Apóstolo Paulo ainda ensina aos crentes dizendo-lhes: "não vos sobreveio tentação que nã fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além da vossas forças, pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar" (1 Co 10.13).
"Mas livra-nos do mal"; Ser livre do mal significa ser livre de cair em tentação, ou seja, escapar das ciladas de Satanás e da corrupção e concupiscência que há no mundo (2 Pe 1.4), mundo este que jaz no maligno (1 Jo 5.19) e que batalha para separar o homem de Deus. O mal aqui é de caráter espiritual e significa aquilo que é maligno, uma referência ao príncipe deste mundo (Jo14:30 e 16:11). Jesus mesmo orou pedindo ao Pai que seus seguidores não fossem tirados do mundo, mas que fossem livres do mal. (Jo 17: 15). Ainda que estejamos no mundo, sujeitos a aflições (Jo 16.33; At 14.22), o maligno não nos deve tocar (1 Jo 5: 18). Devemos orar por proteção para que os intentos de Satanás sejam frustrados e não nos atinjam. Jesus venceu o mundo maligno (Jo 16: 33) e nós também, mesmo em meio as tribulações, somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou (Rm 8: 37).
"Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém"; A oração deve incluir o indispensável elemento da adoração. Aliás, a oração deve ser regada de adoração. Esta oração começa santificando o nome de Deus e termina com declarações de exaltação ao Seu senhorio supremo. Fomos criados para a glória de Deus e devemos fazer todas as coisas para a Sua glória (1 Co 10:31). "Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Ap 5.13)!
Por Bispo José Ildo Swartele de Mello
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