quinta-feira, 28 de maio de 2009

2 Pedro - O que Deus fez por nós e o que ele espera de nós


Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

Introdução:

a) Apresentação de Pedro:

  1. Pedro introduz a si mesmo, primeiro, como um convertido: “Simão Pedro”, ele usa o nome composto daquele que era seu nome original, como era chamado antes de seu encontro com Cristo juntamente com o seu novo nome que lhe foi dado por Jesus, apresentando-se como um testemunho vivo do Poder Transformador de Deus. Simão tornou-se Pedro!
  2. Depois, introduz a si mesmo como “Servo”. Sinal de que nunca perdeu a humildade e a consciência de sua condição primária de servo de Cristo, que é Rei e Senhor.
  3. Por fim, apresenta-se também como “Apóstolo”, reivindicando a autoridade proveniente do fato de ter sido testemunha ocular e discípulo direto de Cristo para combater os hereges que estão deturpando a Verdade e desviando os crentes do reto caminho.

b) A importância da Verdade (o conteúdo e objeto da fé)

Pedro afirma que boa parte de seu ministério consiste em relembrar os cristãos daquilo que eles já sabem (1.12). Ele sente a urgência em repetir continuamente as mesmas verdades (2.13 e 15; 3.1,2 e 8). Às vezes, não nos sentimos inspirados a falar sobre temas que consideramos batidos, muitos chegam a sentir a tentação em sair a caça por novidades místicas e esotéricas que possam atrair multidões. Mas não devemos nos desviar da verdade. Os ensinos cristãos merecem e precisam ser repetidos. Pregadores fiéis e competentes aprendem a ensinar coisas antigas de modo novo e interessante. 


Verdade baseada em fatos históricos e testemunhas oculares e não em lendas ou especulação filosófica (1.16)

Pedro quer que as pessoas creiam e ajam não simplesmente porque tais ensinos fazem parte de nossa confissão e herança religiosa, ou porque contém coisas boas e sábias, mas, sim, porque são verdadeiros!


Verdade baseada em revelação bíblica: “Porque nunca jamais qualquer profecia bíblica foi dada por vontade humana, entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.”

Precisamos nos dedicar ao estudo da Bíblia e da teologia para melhor poder ensinar. Toda prática, experiência e ensino devem estar firmemente calcados na Palavra da Verdade! Para nós, como cristãos, não importa se funciona, se dá resultado, se promove o crescimento da igreja, pois, o que importa mesmo é se está de acordo com a Verdade revelada nas Sagradas Escrituras.

Pedro está preocupado com as heresias destruidoras daqueles falsos profetas e mestres que deturpam os ensinos de Paulo e as demais Escrituras(2 Pe 3.15-16), transformando a graça de Deus e a liberdade cristã em libertinagem (2 Pe 2.2, 10, 13-19).


1) O que Deus fez por nós?

Carta endereçada aqueles que “receberam a fé”

“Fé” que significa: 
  1. o ato de crer propriamente dito
  2. e a substância e conteúdo do que é crido


“Pela Justiça de Nosso Deus e Salvador” (1.1).


Interessante notar que Pedro atribui a salvação não apenas à misericórdia, mas também à fidelidade e justiça de Deus, que é fiel e justo para perdoar os nossos pecados por causa da obra expiatória de Cristo, o Justo e Justificador, que é a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 1.9; 2.1-2)


Deus chama e capacita.

“Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (1.3). Assim como faz cair a chuva, propiciando por sua graça as condições necessárias para que a terra produza os seus frutos (Hb 6.7). 

Deus nos chama através de sua glória e virtude. A glória de Deus atrai e conquista. Exemplo: 1) Moisés (Ex 33.19-19 e o cap. 34 mostra Moisés vendo a glória de Deus protegido na rocha); 2) Pedro testemunhou a transfiguração, 3) “Vimos sua glória cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Através de sua glória e virtude, Deus nos deu grandes e preciosas promessas.


Quais são estas promessas?


  1. Não são promessas mundanas, efêmeras e falsas, tais como: “trabalhe duro e você prosperará”; “economize e você terá uma aposentadoria tranquila”, pois, promessas deste tipo, frequentemente, não se cumprem devido a diversos fatores como desemprego, crises econômicas, traição, enfermidades, acidentes, morte precoce. Na melhor das hipóteses, tais conquistas são transitórias. (Não acumuleis tesouros na terra... Louco, hoje, pedirão a tua alma e o que tens preparado para quem será?... De que aproveita ao homem ganhar o mundo todo e perder a alma... Tudo é vaidade!)


  2. As promessas de Deus são preciosas e eternas: Vida Eterna, Ressurreição, Céu, Dom do Espírito, que estaria conosco até o fim, participar da natureza divina, tornar-se filho de Deus.

“Participar da natureza divina” (1.4)


O que não significa tornar-se deus, pois Deus é único, e nem significa ser absorto em Deus numa espécie de panteísmo, mas tem a ver transformação moral, “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para uma vida de santidade e piedade “ (1.3), para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (1.4). O Evangelho é poderoso não apenas para perdoar, mas também para transformar, pois Deus já nos deu tudo de que precisamos para um novo viver.

2) O que devemos fazer, agora?

“Por isso, façam todo o esforço”... (1.5)



O trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (1.3), "por isso" devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte. Paulo ensinou mesmo a Igreja de Corinto "Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus" (2 Co 7.1). 

Assim, compreendemos melhor o que Jesus quis dizer com a frase: “...o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11:12) e também o que está registrado em Lucas 13:23-30 “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”. Jesus advertiu seus discípulos dizendo: "Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mt 5.20). “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” Fl 2.12, pois “...de Deus somos cooperadores” (I Cor 3:9). "Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis" (2 Pe 3.14). "Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis" (1Co 9.24,25). "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus" (Hb 12.14-15). 

Devido ao fato de Deus já ter nos dado gratuitamente todo o necessário para uma vida piedosa, inclusive preciosas promessas e a participação na natureza divina, devemos agora nos esforçar para fazer nossa parte no aprimoramento das 8 virtudes cristãs aqui mencionadas:

8 Virtudes a serem nutridas e aperfeiçoadas em nós:

  1. fé,
  2. virtude moral,
  3. conhecimento (discernimento moral e espiritual),
  4. autocontrole (comida, bebida, sexo, comunicação, temperamento, uso do tempo (2 Tm 1.7),
  5. perseverança (na fé, na esperança e no amor em meio as provações),
  6. piedade (temor e reverência decorrentes da consciência da presença de Deus em toda a esfera da vida),
  7. afeto mútuo e fraterno e, por fim,
  8. o amor que é a essência de Deus.

Começamos pela fé e terminamos no amor! "Sem fé é impossível agradar a Deus" e o amor é o Grande Mandamento, a essência de Deus e o sinal do verdadeiro cristão "...Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor... e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele" (Jo 4.8,16).

Não é errado questionar nossa experiência de salvação:

Pois o próprio Paulo exorta: "Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados" (2Co 13.5). E João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando que existem frutos como evidência para a salvação: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte" (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a "fé sem obras é morta" (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.

Fomos chamados para ser e fazer discípulos e não apenas "crentes"

Pedro combate a heresia de que é possível aceitar a Jesus apenas como Salvador, mas não necessariamente como Senhor, apenas pela fé, sem que seja necessário o arrependimento, o erro de pensar ser possível ser apenas "crente" sem ser discípulo, ensinando também que não seria necessário tomar cuidados para conservar e desenvolver a salvação. Mas a fórmula correta para a salvação é fé + arrependimento. A razão porque um só destes elementos é citado em alguns textos deve-se ao fato do outro já estar implícito, como no caso da conversão do centurião em Atos 16. Salvação envolve tanto justificação quanto regeneração. Não se pode ter um sem o outro (Tt 3.5-7). Jesus nos enviou para fazer discípulos e não apenas "crentes" ou cristãos nominais, batizando e ensinando a obedecerem tudo o que Jesus ordenou (Mt 28.18-20).

Salvação e discipulado são idênticos. Responder ao chamado de Cristo é tornar-se Seu discípulo. O Novo Testamento enfatiza o Senhorio de Cristo e o discipulado. São 664 registros de Jesus como Senhor e 24 como Salvador; e 284 vezes aparece o termo discípulo e 3 vezes o termo cristão. Sendo artificial qualquer distinção entre discípulo e cristão (At 5.14; 6.1). Evangelismo que omite a mensagem de arrependimento e o preço do discipulado não merece ser chamado de Evangelho. Fé e obediência são inseparáveis. Paulo escreveu a Tito a respeito daqueles que professam conhecer a Deus, mas que por sua desobediência provam sua falta de fé (Tt 1.16). Para ser salvo a pessoa precisa confessar o senhorio de Cristo (Mt 7.21-23; Lc 6.46-49, Rm 10.9, 13, 1 Co 12.3). É necessário renunciar ao ego, como exortou Jesus "Se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mt 16.24-26). Jesus não pode ser Salvador sem Ser Senhor. Ele é Senhor, e aqueles que o rejeitam como Senhor não podem usá-lo como Salvador. É necessário tê-lo como Senhor e não apenas Salvador, arrependimento e não apenas fé, ser discípulo e não apenas crente, segui-Lo e não apenas encontrá-Lo, obedecê-lo e não apenas amá-lo da boca pra fora, tornar-se uma bênção, e não apenas receber as bênçãos, dar e não apenas recceber, amar e não apenas ser amado, perdoar e não apenas ser perdoado, esforçar-se e não apenas esperar em Deus, multiplicar o talento e não apenas preservá-lo, buscar o Reino e não apenas aguardar, permanecer e não apenas iniciar o caminho, vencer e não apenas apenas contemplar a vitória de Cristo e dos heróis da fé, tudo isto com a capacitação do Espírito gracioso de Cristo.

Devemos ser frutíferos, senão...

As 8 virtudes mencionadas por Pedro não são um fim em si mesmas “porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais inativos, inúteis e nem infrutíferos” (v.8). “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). “Pois aquele que não possuem estas virtudes é cego e míope e esqueceu da purificação de seus pecados” (v.9).
 
Precisamos tomar cuidado para confirmar o nosso chamado e eleição, precisamos cuidar para não tropeçar (v.10), pois é desta maneira que nos será amplamente suprida a entrada no reino eterno (v.11). “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mc 13.13; Jo 8.31), “ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras...” (Ap 2.26). E Paulo disse: “. . . mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser reprovado. . . ” (1 Co 9:27). No capítulo seguinte, ele diz que a incredulidade do povo de Israel no deserto, a idolatria e os pecados morais que os israelitas cometeram, acabaram atraindo o juízo de Deus, de modo que a maioria dos israelitas ficaram reprovados e prostrados no deserto (1 Co 10:1-5). Paulo adverte que essas coisas serviram de exemplo para nós que fazemos parte da Igreja (1 Co 10.6). Ele disse em 1 Co 10:14 - “Amados, fugi da idolatria”. Fica claro que Paulo tinha a preocupação de que a Igreja de Corinto agisse tal como os israelitas e, conseqüentemente fosse reprovada. Veja 1 Co 10:11 - “Essas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa. . .” e “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1 Co 10:12). "Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará: e o apanham, lançam no fogo e o queimam" (Jo 15.6).

Por esta razão é que Pedro também adverte nesta mesma carta: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal” (2 Pe 2:20-22).

O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa (Hb 6.4-8, 12; 10.26-38). O autor de Hebreus apresenta uma boa ilustração sobre o relacionamento da graça de Deus e as boas ações humanas, demonstrando que aqueles que recebem a graça devem produzir os respectivos e esperados frutos: "Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada" (Hb 6.7-8).


Esta é a mesma lição que Jesus dá nas parábolas do Talentos (Mt 25.14-30), dos Lavradores Maus (M 21.17-44), Servo Infiel (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48), Dez Virgens (Mt 25.1-13), Julgamento das Nações (Mt 25.31-46), Parábola da Figueira infrutífera (Lc 13.6-9). O ensino é claro, quem não multiplica o talento, os lavradores maus, os servos infiéis, as virgens imprudentes, os mau feitores, a figueira infrutífera, o que não está dignamente trajado (Mt 22), o que é morno em sua conduta e devoção cristã (Ap 2.15-16), todos estão sujeitos à condenação no juízo final. O ramo, mesmo estando ligado a Videira Verdadeira, se não der fruto, está pronto para ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), assim também o sal que se tornar insípido e imprestável é jogado fora (Mt 5.13), e aquele que é morno em sua conduta cristã está prestes a ser vomitado por Deus (Ap 2.15-16).

Onde foi parar o Temor do Senhor?

A Bíblia dá muita ênfase ao temor do Senhor tanto no Antigo como também no Novo Testamento. Foi a primeira coisa que Deus exigiu de Israel quando o chamou para ser seu povo e andar condignamente (Dt 10.12,13). Devemos temê-lo pois Deus é Santo, reto, justo, imenso, todo poderoso, majestoso e esplendidamente belo e incomparável: "Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas?!" (Ex 15.11). Pedro está lidando com esta falta de temor a Deus: "Em primeiro lugar, vocês devem saber que nos últimos dias aparecerão pessoas que zombaram de tudo e se comportarão ao sabor de seus próprios desejos" (2 Pe 3.3). 

Quando não há o devido temor a Deus, as pessoas sentem-se livres para pecar. Deus é santo, mas as pessoas não estão dando a devida atenção a questão do pecado, que é algo tão contrário a natureza divina. Não há mais temor do Juízo Final. Mas Pedro adverte: "O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus se dissolveram com estrondo, os elementos se derreteram, devorados pelas chamas, e a terra desaparecerá com tudo o que nela se faz. Em vista dessa desintegração universal, qual não deve ser a santidade de vida e piedade de vocês, enquanto esperam e apressam a vinda do Dia de Deus? Nesse dia, ardendo em chamas, os céus se dissolverão, e os elementos se fundirão consumidos pelo fogo." (2Pe 3.10-11). É de arrepiar também a descrição do grande dia da Ira de Deus, quando os impenitentes clamaram aos montes e as pedras, dizendo: “desmoronem por cima de nós, e nos escondam da Face daquele que está no trono, e da ira do Cordeiro. Pois chegou o grande Dia da sua ira. E quem poderá ficar de pé?” (Ap 6.12-17). 

Hoje em dia, há uma falta de temor tão grande, que tem até muito crente falando como se fosse divertido encontrar o olhar do Deus Todo Poderoso. Quanta irreverência! É melhor pensarem com mais seriedade. Deus não é brincadeira. Onde foi parar a percepção da sublime majestade de Deus? Como bem observou Pratney em seu livro A Natureza e o Caráter de Deus (Editora Vida, 2004, p.290): "Estão tratando Deus como se ele fosse uma amigo informal e mortal, aproximando-se dele de forma superficial, com a irreverência de um tapinha nas costas. As pessoas pensam pouco ou nada ao blasfemar seu nome repetidamente em uma conversa comum, os comediantes zombam dele publicamente numa toada profana, e a mídia lida com questões de vida ou morte como se o julgamento e a eternidade fossem mitos populares e simples entretenimento ameno. Não há senso apropriado algum de deferência e honra, nenhuma sensibilidade à dignidade e à glória de Deus." No entanto, o profeta Isaías diante de uma visão de Deus, gritou: "Ai de mim!" (Is 6.1-5); o Apóstolo João, apavorado, caiu como se estivesse morto ao contemplar o fulgor glorioso da face de Cristo (Ap 1.16,17); e os que foram para prender Jesus, recuaram e caíram por terra quando ele disse: "Eu sou" (Jo 18.6); os anciãos se prostraram cinco vezes diante daquele que está assentado no trono (Ap 4.10), a voz do Senhor é poderosa e majestosa como trovão e faz tremer o deserto (Sl 29.3-8) e é também sublime a ponto de fazer arder os corações dos discípulos no caminho de Emaús! (Lc 24.32). 

Pedro está procurando em sua carta restaurar o temor do Senhor, sabendo que este temor afasta os homens do mal. Ele chama atenção para o juízo de Deus que é certo sobre os perversos (2 Pe 2.3-22 e ver também 1 Pe 4.17). Paulo, semelhantemente adverte: "Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos" (Gl 6.7-9). O temor do Senhor ainda é o princípio da Sabedoria e o conhecimento do Santo ainda é entendimento! (Pv 9.10).

Conclusão


Tendo Deus nos concedido tudo o que necessitamos para a vida cristã, portanto o cristão precisa fazer a sua parte, começando pela fé que é a porta de entrada para o desenvolvimento das virtudes morais que, nutridas em nós, confirmam nosso chamado e nos garantem a entrada nos céus. Podemos dizer que a salvação é dádiva de Deus, recebida por fé e mantida e desenvolvida com cuidado, dedicação, empenho e perseverança pessoal possibilitados pela capacitação do Espírito Santo. Como disse Andrew Murray “Em primeiro lugar, preciso aceitar, confiar e regozijar-me na obediência de Cristo para cobrir, engolir e aniquilar terminantemente toda minha desobediência. Essa precisa ser a base inabalável, invariável, jamais esquecida, da minha aceitação por Deus. E, depois, a obediência dele torna-se o poder de vida da nova natureza em mim – assim como a desobediência de Adão era o poder que me governava até então. A minha sujeição à obediência é a única maneira que posso manter a minha relação com Deus e com a justiça. A obediência de Cristo à justiça é o único começo de vida para mim; minha obediência à justiça é sua única continuação. Tão certamente como a desobediência e a morte foram a lei para Adão e sua semente, a obediência e a vida o são para Cristo e sua descendência.”

"Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém." (2 Pe 3.17 e 18)

Mensagem do Bispo José Ildo Swartele de Mello



Bibliografia:


Carson, D. A. Becoming conversant with the emergin church.


Pratney, W. A. A Natureza e o Caráter de Deus: A magnífica doutrina da salvação ao alcance de todos. Tradução Marson Gudes. São Paulo, Editora Vida, 2004.







sábado, 23 de maio de 2009

Curso de Evangelização creditado pela Faculdade Metodista Livre

Boas notícias!

A diretoria da Faculdade Metodista Livre estará dando créditos e certificados aos alunos que cumprirem todas as exigências do curso de evangelização que está sendo ministrado pelo Pr. Ildo na Imel de Mirandópolis.

Os alunos poderão optar por fazerem o curso como ouvintes ou como alunos regulares matriculados na Faculdade. A Faculdade emitirá certificados para ambos os grupos, a diferença será que apenas os alunos matriculados é que receberão créditos e também deverão pagar mensalidade. Conseguimos um preço promocional de no máximo 30 Reais por mês, sendo que o curso terá duração de 5 meses. Este preço pode diminuir bastante caso tenhamos mais de 10 alunos. Por exemplo, no caso de 20 alunos, sairá apenas 15 Reais por mês; no caso de 40 alunos, o preço cairá para 7,50 Reais, e assim por diante.

Clique AQUI para ver o conteúdo programático da matéria.


Veja abaixo a mensagem do Diretor da Faculdade, Pr. Dionísio.

Participe e divulgue!

Grato,
Pr. Ildo

---------- Forwarded message ----------
From: Dionisio Date: 2009/5/22
Subject: curso in-church
To: José Ildo Swartele Mello


Bispo Ildo, conforme conversamos, podemos organizar a disciplina de Teologia do Evangelismo in-church da seguinte forma:

1- Duração de cinco meses.
2- Valor da mensalidade R$30,00 ( trinta reais)
3- 02 créditos.
4- 01 hora/aula por semana.
5- Com emissão de certificado.

Nossa expectativa é que tenha pelo menos 10 alunos, todos com o segundo grau completo, para aqueles que pretedem validar estes créditos no curso de graduação, quando decidir faze-lo na faculdade. Para os alunos que ainda não têm o segundo grau completo, a unica diferença é que não terão direito aos créditos.
Qualquer duvida é so entrar em contato.


Abraços

Pr. Dionisio Oliveira
Diretor Geral - FTML

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Clique AQUI para ver o conteúdo programático da matéria.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Material de Estudo do Curso de Evangelismo - Parte I

Para sua edificação, estou compartilhando um documento com você chamado "Evangelização na Igreja Primitiva", que é parte do material de estudo preparado pelo Bispo Ildo para o curso de evangelização que está sendo dando aos Domingos às 17 h no templo da Imel de Mirandópolis, rua das Rosas, 455. Participe do curso e divulgue.

http://docs.google.com/Presentation?id=dcst32d2_384fzr69zg8

Ele não está anexado, e sim on-line no Google Docs. Para abri-lo, clique no link acima. ---

Pr. José Ildo Mello

A melhor homenagem que se pode prestar ao pastor

“Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade” (3Jo 1.4)


O Apóstolo João revela aqui o seu coração pastoral, pois a maior alegria de um pastor é ver o bem estar de suas ovelhas como fruto de seu trabalho.

Assim como os pais se alegram em ver que seus filhos estão andando em bom caminho, assim também o pastor em saber que suas ovelhas estão vivendo em conformidade com o ensino das Escrituras Sagradas.

As ovelhas estão bem quando estão seguindo os passos do Supremo Pastor. Pois “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo.2.6). Ou seja, aquele que afirma ser cristão deve andar como Cristo andou, ou viver como Ele viveu.

O pastor quer que suas ovelhas estejam protegidas de uma série de perigos que as rodeiam, por isso as adverte dizendo: “se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1Jo1.6). O coração do pastor se entristece quando uma de suas ovelhas se dispersa (Lc 15.4), afastando-se do rebanho, negligenciando a comunhão do grupo (Hb 10.25), andando de modo descuidado (Ef 5.15) e expondo-se aos ataques implacáveis do inimigo que vive a espreita (1Pe 5.8).

Alegra ao pastor saber que suas ovelhas estão unidas na segurança do aprisco: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7).

Portanto, andar de modo digno do Evangelho (Ef 4.1), priorizando o Reino de Deus (Mt 6.33) e sendo fiel a Jesus (1Co 4.2), é a melhor homenagem que se pode prestar ao ministério pastoral.

O Dia do Pastor Metodista Livre

Neste Domingo, a Igreja Metodista Livre celebra o "Dia do Pastor Metodista Livre". O dia 24 de maio é muito especial para nós, metodistas, pois celebramos também a extraordinária experiência que mudou a vida e o ministério de John Wesley, fundador do Metodismo, ocorrida num salão de reuniões de crentes, na rua Aldesgate, cidade de Londres, capital da Inglaterra, no ano de 1738.

Wesley contou assim a sua experiência: "Por volta das quinze para as nove, enquanto eu ouvia a leitura da descrição que Lutero fez sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, na verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, sim, os meus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todas as minhas forças por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testemunhei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração".

Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou em média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e imoralidade e cantaram a nova fé nas palavras dos hinos de Carlos Wesley, irmão de John. Os dois irmãos deram à religião um novo espírito de alegria e piedade.

Como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões - E tornou-se conhecidíssima esta sua frase: "o mundo é a minha paróquia". Influenciados pelos moravianos, John e seu irmão Carlos organizaram pequenas sociedades e classes dentro da Igreja da Inglaterra, liderados por leigos, com os objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia, orar e pregar. Logo o trabalho de sociedades e classes seria difundido em vários países, especialmente nos EUA e na Inglaterra e estaria presente em centenas de sociedades, com milhares de integrantes. Com tanto serviço, Wesley andava por toda a parte a cavalo, conquistando o apelido de 'O Cavaleiro de Deus'. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 175 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. A Igreja Metodista.

Além de milhares de convertidos e encaminhados para a santificação cristã, houve também obras sociais dignas de destaque, como estas: Dinheiro aos pobres (Wesley distribuía). Compêndio de medicina (Wesley escreveu e foi largamente difundido). Apoio na reforma educacional. Apoio na reforma das prisões. Apoio na abolição da escravatura! Atualmente, o total de membros da comunidade metodista no mundo está estimado em cerca de 75 milhões de pessoas.

(Wikipedia)

boletim da Imel de Mirandópolis do dia 24 de Maio de 2009

Clique aqui para ler o boletim da Imel de Mirandópolis do dia 24 de Maio de 2009.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dia do Pastor Metodista Livre

A Igreja Metodista Livre comemora o dia do Pastor MetodistaLivre no Domingo, dia 24 de Maio, data muito especial para nós, pois celebramos também a extraordinária experiência que mudou a vida e o ministério de John Wesley que aconteceu na rua Aldesgate, em Londres, no dia 24 de Maiode 1738, que ele próprio descreveu da seguinte forma:

"Cerca das nove menos um quarto, enquanto ouvia a descrição que Luterofazia sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé emCristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, emverdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que umacerteza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdademeus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orarcom todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presenteso que, pela primeira vez, sentia em meu coração".

Nossos parabéns a todos os pastores metodistas livres que com fidelidade e amor tem se dedicado a causa do Senhor. "O vosso trabalho não é vão no Senhor" (1 Co 15.58)!


A melhor homenagem que se pode prestar ao pastor

“Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade” (3Jo.1.4)
O Apóstolo João revela aqui o seu coração pastoral, pois a maior alegria de um pastor é ver o bem estar de suas ovelhas como fruto de seu trabalho.

Assim como os pais se alegram em ver que seus filhos estão andando em bom caminho, assim também o pastor em saber que suas ovelhas estão vivendo em conformidade com o ensino das Escrituras Sagradas.

As ovelhas estão bem quando estão seguindo os passos do Supremo Pastor. Pois “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo.2.6). Ou seja, aquele que afirma ser cristão deve andar como Cristo andou, ou viver como Ele viveu.

O pastor quer que suas ovelhas estejam protegidas de uma série de perigos que as rodeiam, por isso as adverte dizendo: “se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1Jo1.6). O coração do pastor se entristece quando uma de suas ovelhas se dispersa (Lc 15.4), afastando-se do rebanho, negligenciando a comunhão do grupo (Hb 10.25), andando de modo descuidado (Ef 5.15) e expondo-se aos ataques implacáveis do inimigo que vive a espreita (1Pe 5.8).

Alegra o pastor saber que suas ovelhas estão unidas na segurança do aprisco: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7).

Portanto, andar de modo digno do Evangelho (Ef 4.1), priorizando o Reino de Deus (Mt 6.33) e sendo fiel a Jesus (1Co 4.2), é a melhor homenagem que se pode prestar ao ministério pastoral.

Boletim da Imel de Mirandópolis de 17/05/09

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Concílio do Nordeste

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O Concílio do Nordeste foi realizado em Cajazeiras nos dias 1, 2 e 3 de Maio. Líderes de todas as igrejas nordestinas estiveram reunidos com o Bispo Ildo Mello.
Foram momentos de comunhão, edificação espiritual, oração e adoração. Pastores e delegados foram ouvidos. O Bispo Ildo trouxe duas palestras para a liderança da igreja e pregou também nos cultos de Sábado e Domingo à noite. No culto de sábado, tivemos a ordenação do Pr. Ricardo e o Ornildo foi recebido como Candidato ao Ministério.
O Bispo Ildo esteve também visitando a igreja em Uiraúna e conheceu o grande e bem localizado terreno doado pela prefeitura onde será construído o templo.Louvamos a Deus pelas igrejas do Nordeste.

Jesus, modelo e fonte da santidade

Jesus, modelo e fonte da santidade

Por Bispo Ildo Mello

Chamados à Santidade

Jesus iniciou o seu ministério conclamando os homens ao arrependimento (Mt 3.8). Em seu primeiro, maior e mais famoso discurso, Jesus ensina os elevados padrões de santidade que devem nortear a conduta cristã (Mt 5-7). Temos ali, muitas exortações, entre elas: "Não vos assemelheis a eles" (Mt 6.8)... mas, "Sede, pois, perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celeste" (Mt 5.48). 

Esta chamada à santidade é algo muito claro, forte e recorrente na Escrituras Sagradas: "Sede santos porque eu sou santo" (1Pe 1:16); E esta nossa vocação é reiterada pelo Apóstolo Paulo: "Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação" (1Ts 4,3); "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação" (1Ts 4.7). Paulo afirma que Jesus deu a sua vida para promover não apenas a nossa salvação, mas também a nossa santificação (Ef 5.25-26).

Então, o crente não deve se conformar com o mundo (Rm 12.1-2), não deve manchar as suas roupas com a imundícia do pecado (Ap 3.4), mas deve ser santo em todo o seu procedimento (1 Pe 1.13-16), deve ser obediente e fiel até a morte (Ap 2.10; 26; Gl 6.9). Pois sem santidade não há salvação (Hb 12.14). Sem vida com Deus aqui, não haverá vida com Deus no céu (1 Ts 4.7-8). Sem santidade na terra não há glória no céu (Ap 3.2-5). 

Não basta estar, é preciso permanecer e também frutificar. O ramo que não produz o devido fruto está prestes a ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), e o crente morno corre o risco de ser vomitado (Ap 3.16), pois de Deus não se zomba, aquilo que o homem plantar, isto mesmo ele irá colher (Gl 6.7). Cuidado para que "ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus" (Hb 12.15). Os apóstolos expressamente advertem que os que cultivam um estilo de vida pecaminoso não herdarão o Reino dos céus (Gl 5.21). O nascido de Deus não pode viver na prática do pecado (1Jo 5.18). "Se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados" (Hb 10.26). Ao povo escolhido, Deus adverte: "Riscarei do meu livro aquele que pecar contra mim" (Ex 32.33). Portanto, somos exortados a mortificarmos os desejos pecaminosos pois eles nos colocam sob a condenação de Deus (Cl 3.5-6). Sendo assim, "purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" (2Co 7.1), "Agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Rm 6.22).

Por esta mesma razão é que o Apóstolo Paulo exorta: "Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados" (2Co 13.5). E João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando existirem frutos como evidência da salvação: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte" (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a "fé sem obras é morta" (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.

Jesus Modelo de Santidade!

O chamado para partilhar da comunhão e da amizade com Deus é o fundamento para uma vida de santidade. Pois somos naturalmente influenciados por aqueles com quem passamos a conviver. O texto de Marcos 3:14 nos ensina que, em primeiro lugar, os discípulos foram chamados para estarem com Jesus e não para fazerem qualquer outra coisa. 

Os discípulos admiravam a Jesus e naturalmente queriam ser parecidos com ele. Não devemos subestimar o poder de tal estímulo e identificação. Se o convívio com pessoas admiráveis realmente causa um grande impacto na vida do admirador, o que dizer, então, do poder de atração do carisma do Deus encarnado? 

É natural do ser humano a busca de ídolos com quem possa se identificar. Isto começa na infância e costuma seguir por toda a vida. Enquanto, heróis humanos acabam desapontando com o passar do tempo, Jesus, ao contrário, jamais decepciona. Jesus é o protótipo do verdadeiro homem. Nele, podemos e devemos nos inspirar. 

Jesus, fonte de santidade!

Ser como Cristo é uma tarefa humanamente impossível. Mas, "o que é impossível para os homem é possível para Deus" (Mc 10.27)! Jesus não apenas é modelo de santidade, como também é a própria fonte dela (Ez 36.26-27). Ele é ao mesmo tempo o alvo e o caminho (Jo 14.6)! Santidade não é uma obra da carne, mas do Espírito (Gl 5.16)!

Jesus não apenas nos chama à uma vida de santidade, mas também nos capacita (Ez 36.26-27). "Porque Deus é quem opera em nós tanto o querer como o realizar" (Fp 2.13). Jesus não apenas realizou uma obra a favor de nós, mas também opera uma obra dentro de nós (Tt 3.5)! Jesus não apenas perdoa pecados, mas também transforma vidas (Rm 5.8). Jesus transformou pescadores comuns em pescadores de homens (Mt 4.18-20). Transformou Simão em Pedro, Saulo em Paulo. Pois Jesus não apenas justifica, mas também regenera (2Co 5.17). Não apenas nos declara santos, mas também nos torna santos (Jo 15.3). Não apenas nos livra da condenação do pecado, mas também nos livra do domínio do pecado (Rm 6.14). Não apenas é Salvador, mas também é Senhor (Rm 10.9; Fl 2.10-11; 1Tm 6.15; Tg 4.7). Não apenas nos convida a crer, mas também nos conclama ao arrependimento (Mt 3.8; 4.17; Mc 1.15; Lc 13.3). Pois, não basta apenas crer, é necessário obedecer (Ef 5.6; 6.6; 1Jo 3.6, 24). Não basta ser crente, é necessário ser discípulo (Mc 8.34; Lc 9.23; Mt 28.19). Não basta receber o amor, é necessário amar (1Jo 3.16, 23). Porque os que conhecem verdadeiramente a Deus são os que o amam (1Jo 4.8), e os que o amam, verdadeiramente lhe obedecem (Jo 14.21). De modo que não basta apenas receber o perdão, é necessário perdoar (Mt 6.14-15),  pois os que são objetos do seu perdão devem também se tornar perdoadores, sob o risco de terem o perdão de seus pecados cancelados pelo Supremo Credor (Mt 18.23-34). 

Contamos também com a graça do seu Espírito regenerador que nos torna participantes da natureza divina e nos capacita para um viver condizente com o sublime nome que carregamos (1 Pe 1.23). “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (2Pe 1.3); para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (2 Pe 1.4). Jesus não apenas nos exorta a sermos santos (Mt 5.48), mas também nos capacita. Recebemos um novo coração (Ez 36.26), a mente de Cristo (1Co 2.16) e toda a armadura de Deus (Ef 6.10-13) para vencermos o mal (2Co 10.4) e vivermos de modo digno do Evangelho (Fl 1.27). Portanto, assim como faz cair a chuva, propiciando por sua graça as condições necessárias para que a terra produza os seus frutos (Hb 6.7), Deus já nos deu tudo de que precisamos para um novo viver.

Sendo assim, o trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (2 Pe 1.3), "por isso" devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte (2Pe 1.5). Paulo ensinou o mesmo a Igreja de Corinto, quando lhes disse: "Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus" (2 Co 7.1). 

Assim, compreendemos melhor o que Jesus quis dizer com a frase: “...o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11:12) e também o que está registrado em Lucas 13:23-30 “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”. Jesus advertiu a seus discípulos dizendo: "Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mt 5.20). “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2.12), pois “...de Deus somos cooperadores” (1Co 3:9). "Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis" (2Pe 3.14). "Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis" (1Co 9.24,25).

Portanto, a santificação é um processo contínuo (Fp 3.12) que começa na regeneração (Tt3.5) e é incrementada através de outras experiências marcantes com o Espírito de Deus como também por experiências cotidianas de renovada consagração e plenitude do Espírito (Ef 5.18), até que todos cheguemos à medida da estatura completa de Cristo (Ef 4.13). 

Somente revestidos de toda a armadura de Deus é que somos capazes de vencer as tentações do maligno (Ef 6.11-13). "Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo" (2 Co 10.4-5). Portanto, é possível andarmos no Espírito de modo a jamais satisfazermos as concupiscências da carne (Gl 5.16). Ciente desta verdade é que o Apóstolo João afirma: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca" (1 Jo 5.18). E o Apóstolo Paulo afirma o mesmo quando diz: "Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscência" (Rm 6.12).

Portanto, as exortações de Cristo e de seus apóstolos são para que vivamos uma vida de vitória sobre o pecado. O pecado não deve ser a norma do cristão, embora possa vir a acontecer excepcionalmente: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1 Jo 2.1). A graça de Jesus continua operando tanto para o perdão dos pecados como também para a purificação dos corações dos filhos de Deus! (1 Jo 1.9). 

Cuidado com o legalismo

Mas, precisamos tomar cuidado para não cair no legalismo que leva ao orgulho espiritual e produz apenas santidade exterior, cristãos de fachada, sepulcros caiados. A santidade é produto da graça, é fruto do Espírito, de modo que não temos do que nos gabar. A santidade é humilde e misericordiosa, é mansa e pacífica, é compassiva e sofredora como bem ensinou Jesus no início do Sermão do Monte (Mt 5.1-12). A santidade não nos coloca acima dos fracos, mas a serviço deles. Não nos faz sentir superiores, mas servos. A santidade não é elitista, pois é solidária. Ela não nos afasta das pessoas, mas nos aproxima delas. Não é cheia de condenação, antes, é repleta de compaixão. A santidade é amor!

O caminho da santidade não está no estabelecimento dos limites e regras, pois a tendência humana é a de caminhar na direção para onde os seus olhos estão apontados. Por exemplo, o motorista experiente não fica de olho na margem externa de uma curva acentuada tentando se manter distante dela, mas, sim, fixa os olhos na margem interna procurando manter-se próximo a ela. 

Assim também acontece na vida cristã, pois, se fixarmos os olhos naquelas coisas que devemos evitar, vamos acabar sendo atraídos por elas. Mas, se, ao invés disto, nós passarmos a nos preocupar mais em estar mais perto de Cristo, naturalmente estaremos nos afastando do pecado, pois quanto mais perto de Jesus, mais distante nos encontraremos do mal. Eis aí o caminho para uma vida santa! Tendo sempre a Jesus como o alvo, o caminho, a verdade e a vida!


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Boletim da Imel de Mirandópolis -10/05/09

Clique aqui para ler o boletim da imel de Mirandópolis do dia 10 de Maio de 2009. Dia das Mães.