segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Salmo 37 - Enfrentando as tentações das injustiças sociais
Salmo 37 from Ildo Mello on Vimeo.
Salmo 37
Como lidar com as tentações derivadas das injustiças sociais
Por que pessoas más prosperam enquanto pessoas boas padecem tribulações?
Onde está a justiça de Deus?
O Salmista Davi, no alto de sua longa experiência de vida (v. 25), nos ensina a lidar com as tentações advindas da contemplação da prosperidade do ímpio e do sofrimento do justo. No Salmo 73, outro salmista, Asafe, confessa ter quase tropeçado na inveja e na revolta diante das injustiças da vida (73.2-3). Ele chegou a pensar que obedecer a Deus fosse pura perda de tempo (73.13). Às vezes, parece que Deus não existe ou que Ele não se importa, pois os perversos seguem folgados em seus maus caminhos (73.11). Em seu imediatismo, Asafe quase perdeu sua fé, mas foi renovado quando passou a encarar o presente à luz do futuro e da confiança na justiça divina (73.17).
É provável que você já tenha passado por tentações semelhantes. Talvez isto ainda seja motivo de tropeço para a sua fé. Vejamos o que nos ensina o Rei Davi.
Primeiramente, o salmo nos exorta a evitar uma série de atitudes negativas que costumam manifestar-se diante de situações desta natureza.
Segue uma lista de atitudes e sentimentos que devem ser evitados nestas horas de tentação:
1.Não se irrite e não se revolte (1 e 7)
2.Não tenha inveja (1)
3.Não fique irado (8)
4.Não se impaciente e não seja imediatista (8)
5.Não se deixe vencer pelo mal (27)
6.E não desista nunca de fazer o bem (27)
Davi apresenta também uma série de atitudes positivas para vencer tais tentações:
1.Confie no Senhor (3)
2.Faça o bem (3)
3.Habita na terra, em outras palavra, continue no caminho da fé, firme na promessa (3)
4.alimente-se da verdade, pois “nem só de pão vive o homem” (3)
5.Deleite-se no Senhor (4), pois mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios (16). Reconheça a mão de Deus em sua vida. A alegria do Senhor é a nossa força! Como dizia Wesley: “O bom mesmo é saber que o Senhor está conosco”!
6.Entrega o teu caminho ao Senhor com confiança em seu amor cuidadoso (5)
7.Descansa e sossega na fidelidade de Deus (7)
8.Aprenda a esperar em Deus, pois vale a pena! (7)
9.Seja perseverante na prática do bem, pois a seu tempo você ceifará (21 e 27; Gl 6.9)
10.Espere, mas também ande (34), pois não se trata de uma espera passiva, mas de uma esperança que nos move a plantar na certeza de que o dia da colheita chegará!
Por que devemos seguir tais instruções? Porque Deus, que é justo, retribuirá a cada sua segundo as suas obras. A experiência do Salmista o leva a confiar na justiça divina, que pode até demorar, mas não falha! O futuro dirá!
Vejamos como será o destino dos ímpios:
“Em breve”... (2)
Os maus definharão (2)
murcharão (2)
pagarão pelos seus pecados e se darão mal (8)
serão exterminados, perecerão e serão aniquilados, se desfarão como fumaça e desaparecerá (9, 20, 22 e 36)
“Mais um pouco de tempo”... (2)
já não existirá o ímpio (10)
perderá o seu lugar, sua posição, suas propriedades, sua glória (10)
O Senhor se rirá deles (13)
a espada atravessará os seus corações (15)
suas armas e recursos serão despedaçados (15)
seus braços serão quebrados, perderão suas forças, ficarão inválidos (17)
serão amaldiçoados (22)
sua descendência será exterminada (38)
Agora, vejamos como será o destino dos justos:
1.terão satisfeitos os desejos do coração (4)
2.terão supridas suas necessidades (5)
3.serão honrados, pois a sua retidão ficará evidente (6)
4.serão recompensados, pois a justiça prevalecerá no final (6)
5.possuírão a terra prometida (9 e 11)
6.desfrutarão de abundante paz (11)
7.testemunharão que o pouco com Deus é muito melhor que o muito sem Ele (16)
8.serão milagrosamente sustentados pelo Senhor (17)
9.são guardados pelo olhar vigilante de Deus (18)
10.sua herança permanecerá (18)
11.não serão envergonhados no final da história (19)
12.serão fartos (19)
13.são abençoados (22)
14.seus passos são firmados por Deus (23)
15.são motivo de alegria para Deus (23)
16.se vierem a cair, não ficarão prostrados (24)
17.caminhão de mãos dadas com Deus (24)
18.jamais serão desamparados (25 e 28)
19.sua descendência será uma benção (26)
20.sua morada será perpétua (27)
21.serão preservados para sempre (28)
22.herdarão a bendita Terra Prometida por Deus (29)
23.seus passos não vascilarão (31)
24.serão protegidos (33)
25.Não serão condenados no Juízo (33)
26.Serão exaltados (34)
27.prosperarão (37)
28.Encontram refugio em Deus nos momentos de tribulações (40)
29.serão salvos (39 e 40)
Portanto, vale muito a pena servir e confiar no Senhor. Como exemplo disto quero contar um testemunho dos meus tios Almira e Luiz.
Uma jovem, chamada Almira, cursava teologia para melhor servir ao Senhor no Exército de Salvação, mas começou a entrar em crise imaginando que a vida de uma serva de Deus seria entediosa e cheia de privações. Ela almeja a honra do estrelato e estava deixando-se seduzir pela glória deste mundo. Planejava retirar-se do seminário, pois recebera um convite tentador que lhe abriria portas para a concretização de suas ambições.
Quando estava prestes a abandonar o caminho, seu desânimo era tanto em relação ao seminário, que ela chegou até mesmo a dormir sobre a Bíblia em plena hora de estudo. Acordou sobressaltada e notou que dormira debruçada sobre a Bíblia aberta, cujas páginas estavam bem amaçadas. Logo, seus olhos se depararam com um texto em particular que diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, que o mais ele fará” (Salmo 37.5). Pelo Espírito, ela entendeu que aquela era uma mensagem direta de Deus para si, de modo que, em prantos, decidiu entregar sua vida e futuro nas mãos de Deus.
Casou-se com Luiz que também possuía um chamado pastoral. Tiveram um ministério frutífero que durou por mais de 50 anos. Certa vez, ainda bem no começo de seu ministério, estavam servindo numa cidade muito pobre, de modo que as coisas chegaram a ficar bem difíceis em termos financeiros, mesmo ao ponto de faltar alimento. Aflitos, dobraram seus joelhos e clamaram ao Senhor por socorro. Estavam ainda orando, quando alguém bateu à sua porta. Tratava-se de um homem mal encarado que logo disse: “sou ateu e não quero que ninguém me fale de Jesus. Só parei porque quando passava em frente desta igreja, senti um estranho impulso de parar e fazer uma doação”. Luiz, maravilhado com o que se passava, então lhe falou: “ainda que você não queira ouvir sobre Jesus, eu não posso deixar de lhe dizer uma coisa. Sabe, quando você passava em frente deste lugar, nós estávamos aqui orando, clamando a Deus por um pedaço de pão. Foi Deus quem tocou em seu coração!”. Bem, o homem se retirou dali um tanto perturbado. Surpreendentemente, o homem retornou para assistir ao culto no domingo, e, no final, de joelhos, entregou sua vida a Deus!
Almira e Luiz têm muitas outras estórias de como Deus cuida daqueles que a Ele se entregam de todo coração. Deus é fiel e bom. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará”!
Bispo Ildo Mello
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Batismo do Ryan - Vídeo
Batismo do Ryan from Ildo Mello on Vimeo.
Batismo do Ryan, filho do Paulo e Tati Camargo na imel de Mirandópolis no culto de 30 de Janeiro de 2011.
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Incluindo as mensagens do culto de 30 de Janeiro de 2011: Salmo 37 e Batismo Infantil
domingo, 30 de janeiro de 2011
Batismo infantil
Batismo Infantil
Introdução
“O batismo é símbolo da nova aliança da graça, do mesmo modo que a circuncisão era símbolo da velha aliança. Considerando-se que as criancinhas são reconhecidas como sendo incluídas na redenção, afirmamos que elas podem ser batizadas mediante o pedido dos pais, ou tutores, os quais deverão comprometer-se lhes dar a devida formação cristã. Os que foram batizados na infância deverão reafirmar o voto de batismo, por eles mesmos, antes de serem admitidos como membros da igreja” (Livro de Disciplina da Igreja Metodista Livre A/123).
O batismo enfatiza a obra de Salvação de Cristo realizada na Cruz, sendo por isso, muito mais um sinal da graça salvadora de Deus do que propriamente um sinal de arrependimento e fé da parte dos batizados.
O Batismo é sinal da eleição graciosa da parte do Pai: “assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo...” (Ef 1.4; cf. Jo 15.16; Gn 12.1). Esta obra vicária deve ser pregada a todos, e o sinal e o selo pode ser estendido não somente aqueles que já corresponderam a ela, como também aos filhos destes, que estão sendo educados na atmosfera cristã com o conhecimento daquilo que Deus já fez de uma vez por todas em Cristo, e isto de modo totalmente suficiente.
Finalmente, o batismo é sinal da obra regeneradora do Espírito (Tt 3.5). O Espírito Santo é soberano (Jo 3.8). Ele freqüentemente está presente antes de Seu ministério ser percebido, e Sua operação não precisa ser necessariamente acompanhada por nossa apreensão dela. Pois o Espírito Santo trabalha para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Ele não despreza as mentes dos infantes como objetos condignos para começar a Sua obra. Exemplos: João Batista foi movido pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, quando da aproximação de Maria, que estava grávida de Jesus: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo” (Lc 1:41).
Jesus disse que das criancinhas que ainda estão na fase de amamentação oferecem perfeito louvor a Deus: “Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21:16).
Quando chegam à maturidade é necessário que aqueles que foram batizados quando criança façam então sua profissão de fé. Mas assim fazem com o testemunho claro de que não é isto que os salva, mas, sim, a obra de Deus já feita a favor deles antes de crerem. Surge a possibilidade, naturalmente, de que não farão esta confissão, ou que não a farão de modo formal. Mas um modo diferente de administração não conseguirá evitar esta possibilidade. É um problema de pregação e ensino. E mesmo se não crerem, ou se crerem apenas nominalmente, seu batismo prévio como sinal da obra de Deus será um testemunho constante para chamá-los de volta.
Razões bíblicas:
Antigo Testamento
Vamos começar examinando o Antigo Testamento, pois todos os ensinos do Novo Testamento têm suas raízes pedagógicas no Antigo Testamento.
Todas as prefigurações do batismo encontradas no Antigo Testamento favorecem o ponto de vista de que Deus lida com famílias mais do que com indivíduos.
Novo Testamento
Já, no Novo Testamento, é bem provável que as crianças tenham sido incluídas nos batismos de famílias inteiras em Atos:
E é difícil imaginar que os primeiros cristãos de origem judaica e que tinham o milenar costume de circundar seus filhos ao oitavo dia de vida como sinal da Antiga Aliança, não estivem batizando seus bebês como sinal de que pertenciam ao povo de Deus através da Nova Aliança.
Encontramos ainda vários textos relevantes que revelam progressos no tratamento dispensado às crianças em relação à prática comum até então:
Temos vários exemplos no Novo Testamento de filhos sendo grandemente abençoados por causa da fé do pais.
O próprio clima de intensa expectativa da Segunda Vinda de Cristo cotribuiu para que o batismo infantil fosse prática comum e amplamente difundida nos primórdios da Igreja, pois era desejo que as crianças fossem incorporadas a comunidade cristã antes do Grande e Glorioso Dia do Senhor. Isto ajuda a explicar também a razão porque as pessoas eran batizadas imediatamente após sua conversão naquela época.
Razões Históricas
O Batismo Infantil era prática comum nos tempos da Igreja Primitiva
O batismo infantil era praticado nos tempos da igreja primitiva, atestado já em Justino Mártir (130 d.C. -Apol.I.15), Irineu (180), Orígenes (230), que alegavam estarem seguindo o exemplo que também batizavam crianças (Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, v. 1, p. 157).
O batismo infantil era algo normal, tanto que não causava surpresa nem questionamentos, pois estava em conformidade com o ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos.
Esta propagação do batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente deu-se pela convicção de que no batismo é Deus que age na vida do batizando, enquanto que este apenas recebe o batismo. A fé, neste caso, é fruto do batismo, ou seja, do agir de Deus.
Outro motivo que permitiu a difusão do Batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente, foi a convicção de que a Igreja precede o cristão individual como o espaço do senhorio de Cristo onde o Espírito Santo atua e como comunhão dos que crêem e mutuamente sustentam e fortalecem sua fé. Neste sentido, a fé da Igreja sempre precede à do batizando, seja ele adulto ou criança.
Portanto, os Pais da Igreja consideravam o Batismo de crianças uma tradição apostólica, e, por esta razão, foi uma prática comum desde os tempos da Igreja Primitiva. Somente no século XVI, com o surgimento do movimento anabatista é que se começou a questionar 1.500 anos de história da prática do batismo infantil.
Lutero, no entanto, condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55). Para Lutero, porém, a obra do Batismo e sua validade para o ser humano dependem exclusivamente da obra que Deus realiza neste sacramento. A fé, ainda que imprescindível, apenas recebe o batismo, confiando na sua obra. Por isso, o Batismo de crianças é válido mesmo que a fé e a confiança no sacramento cheguem mais tarde.
Aliás, nem é possível dizer que o batismo de crianças aconteça sem fé. Os pais, os padrinhos, as madrinhas e toda a igreja agem em fé e em esperança: “Levamos a criança ao batismo com o ânimo e na esperança que ela creia; e rogamos que Deus lhe dê a fé” (Catecismo Maior IV, 57).
Este, porém, ainda não é o argumento maior que permite Lutero batizar – sejam crianças ou adultos. O batismo acontece porque a Igreja age em obediência ao mandato divino: “Não é, porém, à vista disso que a batizamos, mas unicamente porque Deus o ordenou” (Catecismo Maior IV, 57). E, no Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, temos a pergunta de número 74, que diz: "As crianças devem ser baptizadas?" A resposta é a seguinte: "Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e à sua Igreja (Gén.17:7). Visto que a remissão dos pecados (Mt.19: 14) e o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos (Luc. 1: 14, Sal. 22: 11, Is. 44: 1-3, Act. 2: 39), devem ser incorporadas pelo baptismo, que é o sinal da aliança, à Igreja cristã e serem distinguidas dos filhos dos incrédulos (Act. 10: 47), como se fazia no Antigo Testamento pela circuncisão (Gén. 17: 14), em cujo lugar no Novo Testamento foi o Baptismo instituído (Col.2:11-13).
A Responsabilidade dos pais
Ainda sobre este tema, ler também os parágrafos A/901 - A/902, do livro de disciplina da Igreja Metodista Livre.
Respondendo às objeções mais comuns
1. Não existe mandamento para batizar crianças
2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé
No AT as crianças de Israel também não poderiam se arrepender e ter fé nas promessas, que eram condições para a salvação também nos tempos do Antigo Testamento, mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas membros do povo de Deus. Abraão, por exemplo, creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, recebendo a seguir o sinal da aliança, que foi também aplicado a seus filhos, ainda que não tivessem idade para exercer fé em Deus (Gn 17). Como o sinal da justificação de Abraão pode ser aplicada a seu filho que ainda não tinha idade para crer?
Bispo José Ildo Swartele de Mello
metodistalivre.org.br
Introdução
“O batismo é símbolo da nova aliança da graça, do mesmo modo que a circuncisão era símbolo da velha aliança. Considerando-se que as criancinhas são reconhecidas como sendo incluídas na redenção, afirmamos que elas podem ser batizadas mediante o pedido dos pais, ou tutores, os quais deverão comprometer-se lhes dar a devida formação cristã. Os que foram batizados na infância deverão reafirmar o voto de batismo, por eles mesmos, antes de serem admitidos como membros da igreja” (Livro de Disciplina da Igreja Metodista Livre A/123).
O batismo enfatiza a obra de Salvação de Cristo realizada na Cruz, sendo por isso, muito mais um sinal da graça salvadora de Deus do que propriamente um sinal de arrependimento e fé da parte dos batizados.
O Batismo é sinal da eleição graciosa da parte do Pai: “assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo...” (Ef 1.4; cf. Jo 15.16; Gn 12.1). Esta obra vicária deve ser pregada a todos, e o sinal e o selo pode ser estendido não somente aqueles que já corresponderam a ela, como também aos filhos destes, que estão sendo educados na atmosfera cristã com o conhecimento daquilo que Deus já fez de uma vez por todas em Cristo, e isto de modo totalmente suficiente.
Finalmente, o batismo é sinal da obra regeneradora do Espírito (Tt 3.5). O Espírito Santo é soberano (Jo 3.8). Ele freqüentemente está presente antes de Seu ministério ser percebido, e Sua operação não precisa ser necessariamente acompanhada por nossa apreensão dela. Pois o Espírito Santo trabalha para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Ele não despreza as mentes dos infantes como objetos condignos para começar a Sua obra. Exemplos: João Batista foi movido pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, quando da aproximação de Maria, que estava grávida de Jesus: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo” (Lc 1:41).
Jesus disse que das criancinhas que ainda estão na fase de amamentação oferecem perfeito louvor a Deus: “Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21:16).
Quando chegam à maturidade é necessário que aqueles que foram batizados quando criança façam então sua profissão de fé. Mas assim fazem com o testemunho claro de que não é isto que os salva, mas, sim, a obra de Deus já feita a favor deles antes de crerem. Surge a possibilidade, naturalmente, de que não farão esta confissão, ou que não a farão de modo formal. Mas um modo diferente de administração não conseguirá evitar esta possibilidade. É um problema de pregação e ensino. E mesmo se não crerem, ou se crerem apenas nominalmente, seu batismo prévio como sinal da obra de Deus será um testemunho constante para chamá-los de volta.
Razões bíblicas:
Antigo Testamento
Vamos começar examinando o Antigo Testamento, pois todos os ensinos do Novo Testamento têm suas raízes pedagógicas no Antigo Testamento.
Todas as prefigurações do batismo encontradas no Antigo Testamento favorecem o ponto de vista de que Deus lida com famílias mais do que com indivíduos.
- Quando Noé foi salvo do dilúvio, toda sua família é recebida com ele na arca (cf. 1Pe 3.20-21).
- Quando Abraão recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé (Rm 4.11), é ordenado a aplicá-lo a todos os membros do sexo masculino da sua família como um sinal da salvação que possuem por pertencerem ao povo de Deus: "Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós" (Gn. 17:11).
- Em Cl 2.11-12, Paulo faz uma associação entre o batismo e a circuncisão, chamando o batismo cristão de circuncisão de Cristo.
- No Mar Vermelho, todo o Israel, incluindo crianças, passa pelas águas no grande ato de redenção que prefigura não somente o sinal do batismo como também a obra de Deus que está por trás dele. É isto mesmo que Paulo está dizendo em 1 Co 10.1-2: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”.
- Moisés aspergiu sangue sobre todo o povo, incluindo crianças (Hb 9.19).
- Deus convocou adultos e crianças para entrarem em aliança com Ele (Dt 29.10-12).
- Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).
- “Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” (Salmos 103:17).
Novo Testamento
Já, no Novo Testamento, é bem provável que as crianças tenham sido incluídas nos batismos de famílias inteiras em Atos:
- família da Lídia (16.15),
- do Carcereiro (16.32, 33),
- de Crispo (18.8)
- e Estéfanas (1 Co 1.16).
E é difícil imaginar que os primeiros cristãos de origem judaica e que tinham o milenar costume de circundar seus filhos ao oitavo dia de vida como sinal da Antiga Aliança, não estivem batizando seus bebês como sinal de que pertenciam ao povo de Deus através da Nova Aliança.
Encontramos ainda vários textos relevantes que revelam progressos no tratamento dispensado às crianças em relação à prática comum até então:
- Jesus se torna um bebê concebido pelo Espírito Santo.
- João Batista, também, fica cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe, de modo que poderia ser um candidato ao batismo (Lc 1.39-45; cf. At 10.47 “Porventura pode alguém recusar a água para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?”).
- Cristo acolhe e abençoa os pequeninos (Mt 19.13-14) e fica zangado quando seus discípulos os repreendem (Mc 10.14).
- Jesus diz que as coisas de Deus são reveladas aos pequeninos mais do que aos sábios e entendidos (Lc 10.21).
- Jesus retoma a declaração do Sl 8.2 no tocante ao louvor da boca de crianças de peito (Mt 21.16).
- Adverte contra o perigo de alguém ser um tropeço para os pequeninos que crêem nEle (Mt 18.6), e no mesmo contexto nos diz que, como cristãos, não temos de nos tornar adultos, mas, sim crianças.
- Jesus descreveu a condição espiritual especial destes pequeninos, dizendo: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18:10).
- Na primeira pregação da Igreja, Pedro diz que a promessa do Espírito é para os filhos também e não apenas para os adultos: “Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos...” (At 2.38,39).
- Nas epístolas existem palavras dirigidas especialmente às crianças em Efésios, Colossenses e 1 Jo.
- Em 1 Co 7.14, Paulo diz que os filhos de um casal, onde pelo menos um dos pais é crente, são “santos”, o que certamente significa que pertencem ao povo da aliança, tendo, portanto, também o direito ao sinal desta aliança.
- Uma pergunta que se faz necessária aqui é: Os filhos dos crentes devem ser considerados cristãos ou pagãos?
- As crianças eram incluídas na antiga aliança, eram circuncidadas e participavam da Páscoa, que eram os sinais daquela aliança, por que razão as crianças deveriam ser impedidas de participar dos sinais da nova aliança?
- A Nova Aliança não é superior a antiga?
- Porventura a nova aliança não inclui igualmente, e, por que não dizer, até principalmente os pequeninos?
- Quando é que se dá ou deveria se dar a conversão de alguém nascido em lar cristão?
- Uma criança nascida e criada em um lar cristão precisa experimentar uma crise de conversão?
- Não deveriam, os filhos de cristãos, serem abençoados e dedicados a Deus como cristãos, ensinados como cristãos, considerados como cristãos desde o seu nascimento?
- “Visto que as crianças cristãs pertencem tão obviamente a Deus, como podemos negar-lhes o sinal dessa posse?” (Zuínglio).
Temos vários exemplos no Novo Testamento de filhos sendo grandemente abençoados por causa da fé do pais.
- A ressurreição da filha de Jairo (Mateus 9:18-19, 23-26),
- O pai de um epiléptico pediu que Jesus curasse o seu filho (Mt 17:14-18),
- a ressurreição do filho da viúva de Naim, episódio em que Jesus teve compaixão da mulher,
- e favoreceu o filho por causa da mãe (Lc 7:11-17),
- a cura do filho de um oficial da cidade de Cafarnaum (João 4:46-54).
O próprio clima de intensa expectativa da Segunda Vinda de Cristo cotribuiu para que o batismo infantil fosse prática comum e amplamente difundida nos primórdios da Igreja, pois era desejo que as crianças fossem incorporadas a comunidade cristã antes do Grande e Glorioso Dia do Senhor. Isto ajuda a explicar também a razão porque as pessoas eran batizadas imediatamente após sua conversão naquela época.
Razões Históricas
O Batismo Infantil era prática comum nos tempos da Igreja Primitiva
O batismo infantil era praticado nos tempos da igreja primitiva, atestado já em Justino Mártir (130 d.C. -Apol.I.15), Irineu (180), Orígenes (230), que alegavam estarem seguindo o exemplo que também batizavam crianças (Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, v. 1, p. 157).
O batismo infantil era algo normal, tanto que não causava surpresa nem questionamentos, pois estava em conformidade com o ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos.
- Irineu, que foi discípulo de Policarpo, um discípulo do apóstolo João, foi batizado quando criança. Ele afirmou: "A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças" e, em 180 d.C., Irineu afirma também que “Jesus veio para salvar a todos que são renascidos através dele em Deus: recém nascidos, crianças, adolescentes, jovens e adultos” (Adv. Haer., livro II, 22.4; 39). O termo “renascidos”, para os pais da Igreja, é termo técnico para o “batismo”.
- Na Constituição Eclesiástica de Roma, formulada por Hipólito em 215, encontramos a frase: “Primeiro devemos batizar os pequenos. Todos que podem falar por si mesmos. Para aqueles que ainda não sabem falar, falem seus pais ou alguém que pertença à família” (Const.Ecl. XVI, 4).
- Orígenes, que foi o mais completo conhecedor da Bíblia entre os escritores da Igreja primitiva, nascido na Grécia no ano de 185 d.C., cujo avô e bisavô eram cristãos quando os apóstolos ainda eram vivos. Orígenes, em seu comentário à carta de Romanos, afirma: “A igreja recebeu dos apóstolos a tradição de batizar também os recém nascidos” (Epist. ad. Rom. Livro V, 9 Hom. in Lev., VIII. 4). Sabemos também que o próprio Orígenes foi batizado quando criança.
- Ireneu de Lião (sec III) considera óbvia a presença de "crianças e pequeninos" , entre os batizados em geral (Contra as Heresias II,24,4;).
- Hermas, contemporâneo do apostolo Paulo (Veja Rm 16.14), fala de crianças que receberam o selo do batismo, nestas palavras: "Ora, esse selo é a água do batismo".
- Clemente, que viveu com o apóstolo Paulo (Fl 4.3), aconselhava os pais: "Batizai os vossos filhos e criai-vos na disciplina e correção do Senhor".
- O "Didaqué" (manual da Igreja Antiga, também conhecido como doutrina dos doze apóstolos) prescreve o batismo por efusão ou aspersão.
- Tertuliano (De Bapt., 18).
- Cipriano afirma que o batismo de crianças era prática comum dos cristãos. Em 258, ele escreve: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (carta a Fido). No século III , um sínodo do Norte da África determinou que era permitido batizar as crianças "já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento" (Epístola 64 de São Cipriano). O Concílio de Cartago recebeu consulta se era lícito batizar crianças antes de oito dias. O que significa que a prática do batismo infantil após o oitavo dia de vida era comum.
- Agostinho dizia: "Desde a Antigüidade a Igreja tem observado o batismo infantil" e ainda, "O costume de nossa igreja mãe de batizar crianças não deve ser desconhecido nem tido como desnecessário; nem se deve crer que seja algo mais do que uma ordenança que nos foi entregue pelos apóstolos" dizia ainda: Não foi instituído por concílios mas sempre esteve em uso". Estas afirmações foram feitas e o batismo de criança estava sendo praticado antes do desvio do catolicismo, pois os relatos dos pais da Igreja sobre a prática do mesmo, são do período em que a Igreja Cristã estava vivendo o Evangelho na sua "pureza". Lutero condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55).
Esta propagação do batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente deu-se pela convicção de que no batismo é Deus que age na vida do batizando, enquanto que este apenas recebe o batismo. A fé, neste caso, é fruto do batismo, ou seja, do agir de Deus.
Outro motivo que permitiu a difusão do Batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente, foi a convicção de que a Igreja precede o cristão individual como o espaço do senhorio de Cristo onde o Espírito Santo atua e como comunhão dos que crêem e mutuamente sustentam e fortalecem sua fé. Neste sentido, a fé da Igreja sempre precede à do batizando, seja ele adulto ou criança.
Portanto, os Pais da Igreja consideravam o Batismo de crianças uma tradição apostólica, e, por esta razão, foi uma prática comum desde os tempos da Igreja Primitiva. Somente no século XVI, com o surgimento do movimento anabatista é que se começou a questionar 1.500 anos de história da prática do batismo infantil.
Lutero, no entanto, condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55). Para Lutero, porém, a obra do Batismo e sua validade para o ser humano dependem exclusivamente da obra que Deus realiza neste sacramento. A fé, ainda que imprescindível, apenas recebe o batismo, confiando na sua obra. Por isso, o Batismo de crianças é válido mesmo que a fé e a confiança no sacramento cheguem mais tarde.
Aliás, nem é possível dizer que o batismo de crianças aconteça sem fé. Os pais, os padrinhos, as madrinhas e toda a igreja agem em fé e em esperança: “Levamos a criança ao batismo com o ânimo e na esperança que ela creia; e rogamos que Deus lhe dê a fé” (Catecismo Maior IV, 57).
Este, porém, ainda não é o argumento maior que permite Lutero batizar – sejam crianças ou adultos. O batismo acontece porque a Igreja age em obediência ao mandato divino: “Não é, porém, à vista disso que a batizamos, mas unicamente porque Deus o ordenou” (Catecismo Maior IV, 57). E, no Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, temos a pergunta de número 74, que diz: "As crianças devem ser baptizadas?" A resposta é a seguinte: "Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e à sua Igreja (Gén.17:7). Visto que a remissão dos pecados (Mt.19: 14) e o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos (Luc. 1: 14, Sal. 22: 11, Is. 44: 1-3, Act. 2: 39), devem ser incorporadas pelo baptismo, que é o sinal da aliança, à Igreja cristã e serem distinguidas dos filhos dos incrédulos (Act. 10: 47), como se fazia no Antigo Testamento pela circuncisão (Gén. 17: 14), em cujo lugar no Novo Testamento foi o Baptismo instituído (Col.2:11-13).
A Responsabilidade dos pais
- Os pais têm uma grande responsabilidade sobre a fé e a educação religiosa dos seus filhos (Dt 6.6-7).
- Temos na Bíblia a promessa de que os filhos bem educados no caminho do Senhor não irão se desviar dele (Pv 22.6). Sendo assim, os pais devem guiar seus filhos, através da instrução e do exemplo, no caminho da vida eterna.
- A promessa do Espírito e da salvação não se restringe aos adultos, mas se estende aos filhos (At 2.38).
- Um pai ouve de Paulo que seu ato de fé em Deus abriria a porta da salvação a toda a sua casa (At 16.31).
- Quando Zaqueu se converteu, Jesus declarou: “hoje veio salvação para esta casa” (Lc 19.9).
- A Bíblia ensina também que a “oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5) e, como já vimos, que uma mulher crente, por exemplo, santifica sua família a ponto dos seus filhos serem contados entre os “santos” (1 Co 7.14). (Recomendamos a leitura do seguinte artigo sobre Batismo Infantil: http://ejesus.com.br/conteudo/3731/ )
Ainda sobre este tema, ler também os parágrafos A/901 - A/902, do livro de disciplina da Igreja Metodista Livre.
Respondendo às objeções mais comuns
1. Não existe mandamento para batizar crianças
- E nem era necessário, pois as crianças que eram filhas dos crentes sempre foram reconhecidas como membros da igreja visível do Antigo Testamento. Seria de se esperar o contrário: um mandamento para não mais incluí-las na igreja do Novo Testamento.
2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé
- Textos que mencionam arrependimento e fé como condição para o batismo foram dirigidos a primeira geração de convertidos. Pois, o mesmo argumento as excluiria do céu! “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13:3). “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado” (Jo 3:18). Mesmo aqueles que condenam o batismo infantil não são capazes de concluir que estariam condenadas as criancinhas que não tem idade para se arrepender e exercer fé. Portanto, concluímos que tais textos se dirigem àqueles que têm idade para responder com arrependimento e fé e não formam uma legislação aplicável aos infantes. A Bíblia também diz: ‘‘Quem não trabalha não coma’’. E as crianças?! Devemos deixá-las com fome, porque não podem trabalhar?!
No AT as crianças de Israel também não poderiam se arrepender e ter fé nas promessas, que eram condições para a salvação também nos tempos do Antigo Testamento, mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas membros do povo de Deus. Abraão, por exemplo, creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, recebendo a seguir o sinal da aliança, que foi também aplicado a seus filhos, ainda que não tivessem idade para exercer fé em Deus (Gn 17). Como o sinal da justificação de Abraão pode ser aplicada a seu filho que ainda não tinha idade para crer?
Bispo José Ildo Swartele de Mello
metodistalivre.org.br
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
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