terça-feira, 21 de julho de 2009

A Segurança do Temor


A Segurança do Temor

por Mike Yaconelli (Traduzido por Ildo Mello)

A tragédia da fé moderna é que já não somos capazes de sentirmos temor. Não tememos a Deus, não tememos a Jesus, não tememos o Espírito Santo. Como resultado disto temos um evangelho centrado em nossas próprias necessidades, o que atrai a milhares, mas não transforma a ninguém.

O que aconteceu com o temor que nos dava calafrio, que movia o chão, que nos dava dor de estômago, que nos fazia bater os joelhos, que nos parava o coração e que impactava as nossas vidas ao ponto de ficarmos sem palavras? O que aconteceu com aqueles momentos em que abríamos as nossas Bíblias e as nossas mãos começavam a tremer porque tínhamos temor da Verdade que poderíamos encontrar ali? Qual foi a última vez que você e eu escutamos a Verdade e fomos agarrados pela garganta?
Infelizmente, alguns de nós que recebemos a incumbência de transmitir a poderosa Boa Nova nos tornamos obcecados em criar um cristianismo seguro. Domamos o Leão para tornar o cristianismo algo muito sensível, muito aceitável e muito agradável.

Quem ainda teme a Deus? Tememos a falta de emprego, tememos a violência urbana, tememos a gripe suína, tememos a AIDS, mas não tememos mais a Deus.
Sugiro que a igreja volte a ser um lugar de temor, ou seja, um lugar onde Deus precise nos dizer: "Não temas"! Um lugar onde nossa relação com Deus não seja uma mera crença sentimental ou uma doutrina ou uma teologia, mas sim que seja a ardente presença de Deus em nossas vidas. Estou sugerindo que o Deus domesticado seja substituído pelo Deus vivo e verdadeiro cuja presença derrube nossos egos até o pó e que queime os nossos pecados até às cinzas e nos desnude revelando nosso real ser interior. A igreja deve chegar a ser um lugar glorioso e ao mesmo tempo perigoso, onde nada esteja seguro, incluindo nossos planos, nossos horários, nossas prioridades, nossas políticas, nosso dinheiro, nossa segurança, nossa comodidade, nossas posses e nossas necessidades.

Os discípulos do caminho de Emaús sabiam que haviam estado com Jesus porque seus corações ardiam por dentro. A impotência da Igreja de Deus, a debilidade dos seguidores de Cristo e a irrelevancia da maioria das organizações eclesiásticas estão relacionadas diretamente com a falta da real consciência de estarem na presença de um Deus maravilhoso, santo e que continuamente exige que estejamos aliançados somente com Ele, amando-o sobre todas as coisas.

Cremos em um Deus que deseja tudo de nós - cada pedacinho da gente - e que nos deseja todo o tempo. Deseja nossa adoração, nosso amor, mas, acima de tudo, ele quer que nós confiemos nele. Devemos admirá-lo mais que tudo! Nosso Deus é perfeitamente capaz de acalmar uma tempestade ou colocar-nos no meio dela. De um modo ou de outro, porque ele é Deus, estaremos assombrados, estupefatos e tremendo.

O mundo está cansado de gente cujo Deus é um Deus domesticado. O mundo anela ver gente cujo Deus é grande e santo e temível e gentil e terno... e nosso; Um Deus cuja magnitude e cujo amor nos assuste e nos cative a ponto de nos levar a correr em direção aos seus braços fortes e poderosos onde ele deseja sussurrar-nos essas temíveis palavras: "te amo"!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Boletim 19 de Julho de 2009

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O que significa Ser Wesleyano





O que significa Ser Wesleyano


por Steve Harper

A totalidade do que significa ser Wesleyano está além do escopo deste artigo, mas selecionei um número significativo de identificadores.

Os Wesleyanos não são separatistas
Queremos ter comunhão com todos os outros cristãos. Nós não somos separatistas ou sectários. A primeira publicação de Wesley sobre o início do movimento metodista foi intitulada, "O Caráter de um Metodista"; Nela ele deixou claro que metodistas não tinham o desejo de ser distintos de outros crentes. Isto ainda é verdade. Afirmamos as doutrinas básicas do cristianismo. Confessamos os credos históricos. Nos unimos aos demais cristãos em ações ministeriais e missionárias sempre que possível.

Os Wesleyanos vêm a teologia como um chamado à salvação
Mais do que meros tópicos ou doutrinas, teologia é a história da graça de Deus que atua constantemente e de modo preveniente promovendo conversão, santificação, e, por fim, a glorificação. Teologia tem a ver também com aquela que deve ser a nossa adequada resposta à graça, a saber, a santidade do coração e da vida, que se dá através da prática disciplinada dos meios da graça. Os Wesleyanos compreendem o cristianismo mais como uma vida a ser vivida do que um conjunto de crenças a ser professado.

Os Wesleyanos acreditam que todas as pessoas podem ser salvas
Nós não acreditamos que Deus predestina algumas pessoas para irem para o céu e outras para irem para o inferno. Tomamos João 3:16 literalmente, que ensina que Deus ama o mundo inteiro e está disposto a salvar "quem" crê em Jesus. Deus não quer que ninguém pereça; Ele não tomou qualquer decisão que possa excluir pessoas da possibilidade de serem salvas. Jesus morreu por todos. Ninguém precisa deixar de desfrutar a vida cristã abundante na Terra e a eternidade no céu.

Os Wesleyanos acreditam que podemos estar seguros de nossa salvação
Acreditamos que podemos estar seguros de nossa salvação. Tal segurança não está baseada numa presunção sobre o futuro, mas, sim, na presente e plena confiança que temos em Deus. Tal confiança é também a fonte de um dos frutos do Espírito que é a alegria. Wesley estava convencido de que a verdadeira santidade seria acompanhada por uma profunda felicidade. Vida cristã é vida "abençoada".

Os Wesleyanos acreditam que as pessoas podem ser salvas "ao extremo"
John Wesley denominou isto de "plena salvação." Perfeição cristã é a nossa marca, uma salvação em que não somos apenas salvos do pecado, mas também salvos para uma nova vida de justiça. Podemos ter uma plena santificação como fruto e resposta à graça de Deus em que tanto a amplitude como também profundidade das nossas vidas são consagradas a Deus. Esta experiência pode ser iniciada por um momento de entrega, e, então, seguida por uma profunda devoção e dedicação de nossa vida restante ao Senhor. Limpeza e consagração são descritas por Wesley em termos de santidade de coração e de vida.

Wesleyanos combinam fé e ação
Nós combinamos crenças em vez de separá-las, por exemplo: fé e obras, pessoal e social, coração e cabeça, piedade e misericórdia, Cristo e cultura. Acreditamos que o montante é superior a totalidade de uma das partes.

Os Wesleyanos contribuem para o cumprimento da Grande Comissão
Cremos que o mundo é nossa paróquia e que o Senhor que nos enviou é também nosso companheiro de jornada. Temos vontade de comunicar o evangelho de maneiras que permitam que todas as raças e culturas possam responder positivamente a Deus. Oferecemos Cristo no evangelismo que resulta no novo nascimento, e no estímulo que resulta em vida transformada. Reconhecemos que nossa missão engloba a todos os homens e ao homem como um todo, corpo, alma e espírito.

Os Wesleyanos possuem um conceito elevado da igreja
Nós rejeitamos qualquer ideia de independência cristã, procuramos, em vez disto, estarmos inseridos na comunidade cristã que nos une com aquela grande nuvem de testemunhas que já estão no céu e nos irmanamos também na terra com todos aqueles que estão comprometidos com o cumprimento da Grande Comissão. Como membros do Corpo de Cristo, buscamos ser fiéis a Igreja e a sua missão e nos reunimos constantemente para adoração, oração, estudo da Palavra e celebração dos sacramentos.

Os Wesleyanos capacitam todo o povo de Deus para o cumprimento da Missão
O metodismo primitivo formou mais líderes leigos que líderes do clero. Muitos destes líderes eram mulheres. A nossa herança nos ensina a capacitar todas as pessoas para o exercício de seus dons e talentos com vistas à edificação da igreja e cumprimento de nossa missão no Mundo. Nós nos opomos veementemente a todos os conceitos de fé ou eclesiologia que criam uma elite profissional que reserva a si o direito exclusivo de ministrar o Evangelho em detrimento do restante do povo de Deus.

The Herald Asbury
-Steve Harper é Vice Presidente e professor de formação espiritual no Campus do Seminário Asbury em Orlando, FL.
Tradução: Ildo Mello



Nossa Herança Weleyana

Nossa Herança Weleyana

“O mundo é a minha paróquia”. Esta frase de Wesley foi bem radical em meados do século XVIII, pois as igrejas reformadas não se preocupavam e nem faziam missões naquela época. Wesley foi motivado em seu ministério por esta visão de missões. O cristianismo deveria se espalhar pelo mundo: começando a existir nos indivíduos, se expandindo de um para o outro até cobrir toda a terra. O metodismo primitivo era composto por comunidades que encarnavam a presença de Deus, impactando e transformando a sociedade e alcançando o mundo. Wesley tinha a firme convicção de que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação e transformação dos indivíduos e da sociedade, por isto se movia buscando a conversão e a redenção das pessoas e conseqüentemente da sociedade e do mundo através da pregação do Evangelho. A igreja, como luz do mundo e sal da terra, deve elevar os seus olhos para a grande seara que está pronta para ceifa. Seara esta que se estende do nosso bairro até os confins da terra.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os Dons e a Igreja

Baseado em 1 Coríntios 12:12-31
Por José Ildo Swartele de Mello

Dois homens trabalhavam quebrando pedras na construção de um grande edifício. Foi feita a mesma pergunta a cada um deles: "0 que você está fazendo?" 0 primeiro respondeu: "Ora, estou quebrando pedras"; mas o segundo respondeu: "Estou ajudando a construir um grande edifício!”.

  1. Quais as lições práticas que podemos tirar da ilustração acima para a vida da igreja? E qual a relação existente entre esta ilustração e o tema dos dons do Espírito?
  2. Por que Paulo dedica um quarto do seu estudo sobre os dons do Espírito à questão da unidade da igreja? (Os 20 versículos deste parágrafo correspondem à aproximadamente 1/4 dos 84 versículos dedicados ao assunto dos dons).
  3. Ciúmes, rivalidades, arrogância, pretensões, estrelismos, individualismo, menosprezo pelos dons considerados não tão interessantes, busca de satisfação pessoal, exaltação do "eu", e negligência para com os frutos do Espírito eram Características da igreja de Corinto. 0 que fazer para não incorrermos nos mesmos erros?
O ministério da igreja é, essencialmente, a continuação do ministério do próprio Senhor Jesus Cristo. A vontade de Deus é unir todas as coisas em redor de Cristo, harmoniosamente (ver Ef. 1:10). No seio da igreja, Deus demonstra como isso pode ser feito, através da unidade do Espírito (Ef. 4:3). E o trecho de Ef. 1:23, ensina-nos que Deus utilizar-se-á da igreja como um instrumento para realizar tal plano.

0 termo grego ECLESIA ou igreja aparece por nove vezes em 1 Coríntios 14 (vs. 4, 5, 12, 19, 23, 28, 33, 34 e 35) e uma vez em 1 Coríntios 12:28. No parágrafo 12:12-31, Eclesia é definido como "0 CORPO DE CRISTO" (o vocábulo "corpo" aparece dezessete vezes neste trecho). Paulo defende que os dons espirituais só podem ser entendidos dentro do contexto da IGREJA. Os dons foram dados a cada um individualmente visando o bem comum, isto é, a edificação do CORPO DE CRISTO. Portanto, a "IGREJA" está em foco.

Em 1 Cor. 12, Paulo toma o corpo humano como metáfora e elabora a sua aplicabilidade à igreja. Ele mostra que os dons espirituais, como os diferentes membros do corpo, são diversos em qualidade e função - mas cada um tem importante e necessária contribuição a fazer ao corpo inteiro. Todos são indispensáveis.

Os dons são divinamente dados, não primariamente para abençoar a vida do recipiente individual, mas para o benefício da igreja. 0 dom não é dado para nosso deleite pessoal ou para obtermos vantagens sobre os outros, mas para servimos aos demais crentes.

Os dons não são dados para divisão, mas para a unidade do corpo. Observe que a palavra chave deste texto é "um". Paulo inicia esta carta aos coríntios fazendo uma forte exortação à unidade (1 Cor. 1: 10- 13) e, no capítulo 3, Paulo repreende as carnalidades, as divisões, os ciúmes e as contendas que haviam entre eles. E, em 11:17-34, Paulo afirma estar informado de que há divisões e partidos entre os coríntios.

Num corpo existem órgãos com mais ou menos destaque; mas estas diferenças no Corpo de Cristo são meramente funcionais e não servem de critério de qualificação hierarquica. Nenhuma parte deve sentir-se inferior ou superior com base nos seus dons ou na sua posição dentro do corpo, porque Deus mesmo foi quem dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprove. (v. 18). As diversas partes do corpo não estão em feroz concorrência entre si, mas sim, se completam harmoniosamente, por amor da totalidade, segundo a orientação da Cabeça.

V. 11 - "Um só e o mesmo Espírito” - sublinha a verdade de que os dons divergentes não visam a propósitos divinos divergentes. Os membros diferem, mas as suas diferenças não afetam o fato de que há uma unidade fundamental.

Cada um de nós tem uma função, um ministério no Corpo de Cristo, aquelas "boas obras as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas" (Ef. 2:10). Deus dará, a cada um individualmente, os dons necessários para que cada um possa estar capacitado par executar bem os seus serviços e ministérios já designados por Deus.

Vs. 15 e 16 - 0 pé pode muito bem ter ficado desalentado por sua incapacidade para exercer as complicadas funções da mão, mas "nem por isso deixa de ser do corpo". Os corpos precisam de pé como de mãos, de ouvidos como de olhos. Por melhor que sejam os olhos, o que seria do corpo se todos os seus; membros fossem olhos? Observe que Paulo coloca "0 TODO" no mais alto nível. Os membros não estão dispostos no corpo por acaso (vs. 6, 7, 11, 18, e 28).

Vs. 29 e 30 - Todas as perguntas destes dois versículos esperam um "NÃO" como resposta. 0 que nos ensina que nenhum dom em particular é destinado a todos os cristãos. Nem todos são apóstolos, nem todos profetizam, nem todos falam em línguas. Estes versículos são suficientes para provar que o dom de línguas não é o único sinal de que alguém foi batizado com o Espírito Santo. Mesmo naquela época, nem todos os que eram batizados com o Espírito Santo falavam em línguas. Os dons são dados como Deus quer, como lhe apraz e não como nós queremos.

Paulo tratou dos membros mais humildes da igreja, que achavam que, por lhes faltarem dons espetaculares, poderiam ser postos fora do corpo. Tratou também da questão dos membros que, por possuírem dons de maior destaque, menosprezavam os seus irmãos menos dotados, chegando à soberba ao pensar que podiam funcionar bem, sem as "insignificantes" contribuições dos outros não tão "espirituais" e bem dotados quanto eles. Barcley afirmou: "Sempre que começamos a pensar em nossa importância pessoal na igreja, esvai-se a possibilidade de uma obra realmente cristã".

Os dons não são dados por acaso, a revelia ou conforme a nossa própria vontade, e nem visam à interesses mesquinhos e pessoais. Deus concedeu dons com o propósito de nos capacitar para os serviços, funções ou ministérios que Ele mesmo estabeleceu e designou para nós, visando a edificação e a unidade da Igreja.

Assim, entendendo melhor a "igreja", torna-se mais fácil compreender os dons espirituais, bem como o seu uso e propósito.