quarta-feira, 20 de junho de 2012

O que significam os 144.000 de Apocalipse?


Os 144.000

Não é razoável interpretar os 144.000 de modo literal, pois os números em Apocalipse não são literais, mas simbólicos. A Igreja é representada pelos 7 candelabros (1.20), pelos 24 anciãos (4.4, pois a Igreja foi erigida sobre o fundamento dos profetas do Antigo Testamento e dos Apóstolos conforme lemos em Ef 2.20, ou seja, sobre os 12 Patriarcas de Israel e sobre os 12 Apóstolos, que somados são igual a 24; Deus não possui dois povos, mas apenas um, pois a parede de inimizade entre gentios e judeus foi derrubada em Cristo, que, de ambos os povos, fez um só - Ef 2.16); E, agora, vemos esta mesma Igreja sendo descrita em termos de uma multidão de 144.000 (7.4), composta por homens virgens (14.4), 12.000 de cada tribo de Israel (7.5). E, por fim, a Igreja é também descrita como uma multidão incontável de remidos de todos os povos, tribos, línguas e nações (7.9). 

Charles Taze Russell, fundador da seita Testemunhas de Jeová, chegou a conclusão de que apenas 144.000 seriam salvos. Como sua igreja cresceu a ponto de superar em muito este número, ele reformulou sua tese, ensinando, agora, que 144.000 irão para o céu e uma grande multidão de salvos de segunda categoria habitarão um paraíso terrestre. Eis aí um mero exemplo das complicações advindas de interpretações literais dos números no Livro de Apocalipse.

Também não dá para interpretar o número 144.000 literalmente devido as dimensões da Nova Jerusalém abarcam muito mais gente (Ap 21.16-17). E, se fossemos interpretar literalmente, haveríamos de concluir que apenas homens e, ainda por cima, virgens, dentre os hebreus é que seriam selados. Ficando de fora as mulheres e os casados como o Pai Abraão e Moisés. Algo totalmente fora de cogitação.

No livro de Apocalipse, a Igreja é que está em foco e não os judeus. O Apocalipse foi escrito para consolar e encorajar a Igreja e que conforto e ânimo seus membros teriam numa interpretação literal dos 144.000?  Por que Jesus concederia proteção especial para 144.000 judeus e não para a Sua Igreja (7.3)?

Há que se reconhecer que se trata da Igreja do Senhor Jesus Cristo pela qual ele morreu para santificá-la e apresentá-la imaculada a Deus: "... assim como Cristo amou a igreja e entregou- se por ela para santificá- la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável (Ef 5.25-27).Como o Livro de Apocalipse foi escrito para a Igreja e é cheio de figuras de linguagem, é bem provável e razoável concluir que os 144.000 (Ap 7 e 14) sejam uma ilustração da Igreja. As descrições desta multidão reforça esta idéia. A expressão "até que selemos as testas dos servos do nosso Deus” (7.4) indica que os 144000 sejam uma clara referência a Igreja como um todo, pois sabemos que os salvos da Igreja é que são descritos como os selados (Ef 1.13; 4.30) e também é óbvio que os "servos do nosso Deus" no Novo Testamento só pode ser uma referência a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. Além disto, Apocalipse 14.1 descreve os 144.000 como estando ao lado do Cordeiro, trazendo escritos na testa o nome dele, o que confirma tratar-se de um grupo cristão de seguidores de Jesus Cristo, pois também é dito que eles "seguem o Cordeiro por onde quer que ele vá" (14.4). Os 144.000 também são descritos como aqueles que "haviam sido comprados da terra", e sabemos bem que os remidos da Igreja é que "foram comprados por alto preço" (1 Co 6.20; 7.23).

Portanto, doze é o número usado para representar o povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. São Doze Tribos no Antigo e Doze Apóstolos no Novo. Sabemos também que o número mil representa plenitude. Sendo assim, é bastante lógico concluir que o que o número 144.000 (12 X 12 X 1.000) está sendo utilizado para representar a totalidade do do povo de Deus, a soma dos remidos do Antigo e do Novo Testamento.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

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