segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ordenação Pastoral de Raul Nogueira



Ordenação Pastoral de Raul Nogueira em reconhecimento de seu chamado demonstrado através de uma vida consagrada a Cristo e Sua Igreja, com muitos frutos para a expansão do Reino de Deus. Um evangelista e plantador de igrejas que também foi capaz de edificar sua casa no firme alicerce da Palavra de Deus.



RAUL NOGUEIRA
5.8.12


Dou muitas graças à Deus, porque nasci num lar evangélico e por esse fato sou crente em Cristo desde o berço.
Também, tenho o privilégio de ser crente de 4ª geração, isso por que meu avô Caetano Nogueira Junior, converteu-se aos 17 anos e a seguir evangelizou seus pais, seus irmãos, parentes e vizinhos, todos moradores do município de Caldas, Estado de Minas Gerais.
Empolgado e feliz, ele foi para o Rio de Janeiro, fez o seminário e voltou como pastor, trabalhando sempre no Sul de Minas.
Em 1903, quando organizaram a Igreja Presbiteriana Independente, ele foi eleito como o 1º Moderador desta Igreja.
Eu não conheci o meu avô, porque ele faleceu em 1909 e eu nasci em 1915, mas tive o privilégio de conhecer o meu bisavô, o qual morou conosco até 1922. Meu pai era o 7º filho e entre os 10 irmãos, 5 destes vieram a ser pregadores leigos.
Papai foi um deles, e também um dos fundadores da 1ª Igreja Evangélica em Avaí, cidade onde eu nasci. Esta cidade fica bem perto de Bauru, onde residia o pastor que vinha uma vez por mês dar assistência e trazer a mensagem. Papai liderava como presbítero da Igreja e trabalhava numa pequena fábrica de arreios para montaria, calçados e artefatos de couro.
Meu professor da Escola Dominical era um índio chamado Seu Inácio, o qual tinha toda a sua família na Igreja.
Nosso pastor entre 1922 até 1928, chamava-se Belarmino Ferraz; muito bom pregador e muito querido de todos. Eu tinha 13 anos quando ele pregou sobre o tema: “Ide e fazei discípulos”. Eu fiquei tão encantado, que chegando a nossa casa, onde ele se hospedava, me dirigi a ele dizendo: Pastor, eu quero ser um pastor; quero que o senhor me ajude.
Entretanto, ele disse: Primeiro você termina o ginasial e depois eu te encaminho ao Seminário.
Aconteceu porém que, papai era fiador de uma grande família de crentes, nossos amigos e eles deviam muito num dos bancos. Eles pagariam papai com o resultado da colheita, mas uma geada estragou todo o cafezal, não houve colheita e o Banco não quis reformar o débito.
Papai teve que vender sua pequena fábrica e o prédio, a fim de salvar os irmãos e estes deram como garantia, umas glebas de terras de 300 alqueires, no Pontal do Paranapanema, perto da cidade de Presidente Wenceslau - SP.
Saímos de nossa casa e precisamos mudar para nosso sítio que ficava a 5 km da cidade.
Precisei deixar os estudos, indo aprender a trabalhar na lavoura, arando terra com animais, esquecendo o meu sonho de ser um pastor.
Porém, chegando o ano de 1935, no dia 4 de janeiro, fui arrolado na Igreja, por pública Profissão de Fé, sendo o Dr. Lauro de Queiroz o pastor oficiante. Neste ano, eu completava 20 anos e meus pais tinham medo de que eu sendo sorteado, teria que ir para o Exército, e os jovens da nossa região iam para um quartel na divisa com o Paraguai, lugar de má fama. Por esse motivo me mandaram para a capital de São Paulo como voluntário.
Vindo para São Paulo, apresentei-me no Departamento próprio e me enviaram para Quitauna, vizinho de Osasco, onde fui incorporado na 3ª Cia de Metralhadora Pesada, do 4º RI , tornando-me um atirador de 1ª categoria. Fiquei ali até março de 1937 e frequentava o Templo da Igreja Presbiteriana na Rua 24 de Maio, todos os domingos com a família do meu Tio Horácio. Este templo foi desapropriado pela Prefeitura por ter sua rua alargada, dando-nos em troca, o terreno localizado na Rua Nestor Pestana, onde se encontra até hoje.
Aconteceu que em 1936, no mês de maio, uma de minhas tias precisou vir para São Paulo, trazendo uma de suas filhas juvenis para uma cirurgia e com elas, veio também uma linda garota chamada Nair, parente de minha mãe, ficando as 3 no Hospital Santa Catarina, instalado até hoje, na Av. Paulista. Apaixonei-me logo pela Nair e passei a visitá-la todas as tardes ao escurecer, sempre obtendo autorização do meu comandante da minha companhia. Entretanto, dentro de poucos dias, elas voltaram para Avanhandava e eu fiquei curtindo as saudades deste amor a primeira vista.
Em 1937 dei baixa no Exército, fui para casa, trabalhei com meu pai uns 6 meses e resolvi ir a Avanhandava aonde tinha muitos parentes, até que encontrei a minha amada. Voltei para casa já noivo e correspondendo através de cartas, até que em 30 de julho de 1938 casamos.
Fomos morar na fazenda, onde a Nair tinha uma parte, devido à herança. Ali nasceu nossa 1ª filha, Nileide e eu preguei num culto, pela 1ª vez, tendo por tema o versículo 55:2 de Isaias. “Porque gastai o dinheiro naquilo que não é pão e o suor do seu rosto, naquilo que não satisfaz?”
Na fazenda tinha um pequeno templo e o pastor Reverendo B.H. Ferreira, um advogado aposentado, vinha uma vez por mês e passou a dar-me algumas aulas de homilética. Este pastor era o mesmo que realizou o nosso casamento. Entretanto, eu não me senti satisfeito no trabalho naquela fazenda e dentro de 2 anos, resolvemos mudar para a cidade.
Vendi nossa propriedade com o consentimento do sogro e fiz uma viagem de sondagem para escolher um lugar para morar e dentre as cidades visitadas, escolhi Andradina, quase na divisa de Mato Grosso. Isso em 1940.
Em Andradina fomos recebidos com muita alegria na Igreja Metodista e em seguida recebi o cargo de guia-leigo da Igreja, logo nos primeiros dias, porque a Igreja crescia e precisava de obreiros, pois tínhamos uns 10 pontos de pregação.
Eu comecei a trabalhar vendendo telhas, de um fabricante de Avanhandava, mas logo formamos uma sociedade e criamos uma indústria de benefício de arroz, numa vila distante da cidade 20 km, que se chamava Nova Independência. No começo eu e meu tio Josias trabalhamos na construção do armazém e casas, isso durante 4 meses, indo e voltando, todos os começos e fins de semana.
Quando nossas máquinas começaram a funcionar, fui buscar a Nair e as 2 filhas, Nileide e Nívea, esta 2ª que nasceu em Andradina, esta é hoje pastora. Neste primeiro dia da reunião da família, todos juntos, fizemos um culto de agradecimento à Deus.
Foi neste culto de gratidão que aconteceu o 1º milagre na minha vida.
Durante o culto, eu estava terminando minha mensagem, quando chegou um dos novos clientes, pretendendo falar comigo, pois a porta da sala estava aberta. Dei uma paradinha e o convidei para entrar e sentar-se. Porém ele preferiu ficar encostado em pé, na porta. Terminei a mensagem orando por nós, pelo nosso empreendimento, pelo povo daquela vila e até pelo visitante, senhor Leandro Borges, que era sacristão da Igreja Católica da cidade, mas eu não sabia.
Conversamos e eu ofereci a ele a minha Bíblia emprestada. Disse ele: Não leio livros protestantes.
Mostrei que não era livro protestante e sim católico, tradução do latim para o português, do padre Matos Soares. Aí ele se animou e eu disse: leva este livro e depois venha buscar o livro protestante, para o senhor ver que é igualzinho.
Disse: Não existe Bíblia diferente. O senhor é um homem inteligente e não pode ficar sem saber o que o Senhor Deus quer nos ensinar. Todos nós vamos morrer um dia e do outro lado somente existe céu e inferno e quem quiser ir para o céu precisa conhecer o que Deus ensina e não ficar na dependência de padres. Ele levou a Bíblia e 8 dias depois voltou e levou a outra Bíblia e começou a vir todos os domingos a tarde em nossas reuniões, trazendo sempre alguém (uma ou duas pessoas). Converteu-se e trouxe para Cristo mais de 20 pessoas; dei aula para todos e em 4 anos estávamos com quase 100 novos crentes.
Ver no quadro o templo (foto).
Construímos o templo, o Pastor José de Andrade vinha mais vezes e batizava os novos crentes e a alegria tomava conta de todos.
Infelizmente, o ser humano está sempre sujeito ao pecado e o inimigo aproveita para enchermos de orgulho e vaidade. No começo de 1947 aparece um grupo de amigos de Andradina, políticos e interessados em conseguir apoio de pessoas que pudessem trazer votos para a legenda ou partido. Eu não entendia nada de políticos, “fui na conversa” deles e nem pedi tempo para consultar a Deus. A vaidade tomou conta de mim e aceitei ser um candidato a vereador. É verdade que eu tinha algum prestígio e na eleição cheguei em 3º lugar em número de votos, tornando-me em líder do prefeito e no 1º secretário da Câmara.
Foi por isso que começou a minha decaída, pois Deus não ocupou o primeiro lugar nos meus planos.
Também em 17 de outubro de 1947 nasceu meu filho, ocasião em que o Senhor Deus operou um grande milagre. Os 4 médicos da cidade, todos meus amigos, estavam desanimados e um deles veio me consultar, qual era o meu desejo, salvar a mulher ou o filho. Respondi: Quero os dois e estou orando para isso. Peço a vocês fazerem o melhor que sabem e o Senhor Deus vai abençoa-los com toda a certeza. Ao amanhecer o dia, minha esposa estava no apartamento e o filho no berçário, recuperando-se. Só Deus é que pode intervir. Ele nos ama apesar de nossas imperfeições.
Deus me fez um evangelista, mas primeiro precisei liquidar meus negócios comerciais, sobrando apenas uns direitos para montagem de uma usina produtora de açúcar. No final do ano 1950, fui eleito delegado ao Concílio Geral da Igreja Metodista, o qual se realizaria em Piracicaba, no começo de 1951.
Ali, através do irmão Humberto Aldrovandi, residente naquela cidade, delegado também ao Concílio e Deputado Estadual, consegui vender a Cota do IAA por um bom dinheiro e precisei mudar com a família para São Paulo.
Aqui fui congregar na Igreja Metodista de Vila Mariana e fui imediatamente eleito presidente da Comissão de Evangelização e Guia Leigo. O Pastor chamava-se João Paraíba da Silva. Começamos a pregar na Praça da Sé, conseguimos muitos interessados, também mantínhamos trabalhos no presídio do Carandirú. Em 1957 fui eleito pelo Concílio Local, Evangelista para começar o trabalho no Jabaquara, onde fiquei até 1960.
Alugamos uma casa e no final compramos o terreno, deixando uma Escola Dominical com 120 alunos matriculados. Também neste ano aquele ponto foi organizado em Igreja e o Dr. Joel Jorge de Mello foi assumir aquele trabalho.
Eu estava sobrecarregado, porque tinha a presidência da Junta dos Ecônomos e estava organizando o Acampamento Betel, que afinal acabamos doando à Igreja. Em 1970 a pedido de uma irmã viúva, que mudou-se para o bairro de Pedreira, começamos um ponto de pregação na sua casa, o qual depois de 2 anos, foi organizado uma Igreja Batista, porque entre os freqüentadores haviam diversos batistas.
No 1º domingo de Abril do ano de 1959, nosso pastor Hélio da Rocha Camargo fez uma infeliz surpresa para todos nós. Terminado o culto, chamou-me a frente dizendo: Passo às mãos do nosso guia-leigo a Igreja Metodista de Vila Mariana, porque é o último sermão que prego aqui. De hoje em diante, deixo de ser metodista.
O choro da Igreja foi geral, eu mal pude convocar uma semana de oração no templo por todos os crentes.
No outro dia fui falar com o bispo Isaias Sucasas e na falta de pastores ele autorizou-me a ficar dirigindo a Igreja, até que conseguisse um pastor. Fiquei como pastor de abril a Setembro de 1959.
Deus sempre me conduziu e eu procurei sempre ser útil e testemunhar o que o Senhor Jesus Cristo tem feito em minha vida.
Em 1995, mais ou menos, fomos todos da nossa casa arrolados na Igreja Metodista Livre de Mirandópolis, onde permanecemos.
Agora, no final de minha carreira, estou por demais feliz pois a emoção dos meus 13 anos ora se concretiza. Procurei ser crente fiel e aguardo pela vida eterna com Deus; a Ele seja toda nossa gratidão e louvor.


Raul Nogueira

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