"... o cristianismo é essencialmente uma religião social; e reduzi-la tão somente a uma expressão solitária é destruí-la."
"O mundo é a minha paróquia."
"Faça todo o bem possível, por todos os meios possíveis, de todos os modos possíveis, em todos os lugares possíveis, em todas as ocasiões possíveis, a todas as pessoas possíveis, tanto quanto for possível."
"A excelência da sociedade para a Reforma dos costumes é...primeiro, mover campanha aberta contra toda a impiedade e injustiça, que cobrem a terra como num dilúvio, e isto é um dos meios mais nobres de confessar a Cristo."
"Vocês não tem nada a fazer, senão salvar almas. Portanto, gastem tempo e sejam gastos nessa obra. Devem ir sempre não apenas ao encontro dos que precisam de vocês, mas principalmente daqueles que mais necessitam de vocês."
“É necessário que tenhais o ouvido que ouve e o olho que vê... Que tenhais uma nova espécie de sentidos aberta em vossa alma, dependendo não de órgãos de carne e sangue para serem as evidências das coisas invisíveis como vossos sentidos corpóreos são das coisas visíveis, para serem avenidas ao mundo invisível... E até que tenhais esses sentidos internos, até que os olhos do vosso entendimento estejam abertos, não podereis apreender as coisas divinas, visto que a vossa razão não tem solo onde se firmar, nem dados sobre os quais trabalhar."
"A autêntica experiência de salvação é transformadora. Ou impacta a orientação total da vida ou não é autêntica."
“Eu creio que a santificação seja a vida de Deus na alma do homem, uma co-participação da natureza divina (2 Pe 1.14), o sentimento que houve em Cristo (Fp 2.5), ou a renovação do nosso coração segundo a imagem daquele que nos criou (Cl 3.10)”
"Vossa própria natureza é dar sabor a tudo quanto vos rodeia. É da natureza do divino sabor que existe em vós expandir-se em tudo quanto tocardes, difundir-se por todos os lados, atingindo a todos aqueles em cujo meio estiverdes. Esta é a grande razão pela qual a Providência de Deus vos misturou com os outros homens, de modo que as graças, quaisquer que sejam, que de Deus houverdes recebido, possam ser comunicadas através de vós ao demais homens."
"É o simples e antigo cristianismo o que prego, renunciando e detestando todas as outras marcas de distinção. Porém, dos verdadeiros cristãos, qualquer que seja sua denominação, desejamos ardentemente em nada nos distinguir... por questão de opiniões e termos, não destruamos a obra de Deus. Amar e temer a Deus? Isso é o bastante! Te estendo a mão direita do companheirismo".
"Quanto a todas as opiniões que não danificam as raízes do cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar". O que evoca a célebre frase do Bispo Agostinho acerca da liberdade do cristão: "No essencial unidade, no não essencial liberdade, em tudo caridade."
"Uma piedade azeda (amarga) é religião do diabo". ou "Piedade (religião) carrancuda é religião do diabo"
"Pregai expressamente em favor da educação. Com dom ou sem dom tem de fazê-lo; de outra forma não estás chamado para ser um pregador metodista".
"Todo o metodista deve estar pronto a pregar e a morrer"
"O Evangelho de Cristo não conhece outra religião que a social nem outra santidade que a santidade social. Este mandamento temos de Cristo, que o que ama a Deus, ame também ao seu irmão".
"Todo projeto para refazer a sociedade, que não se importa com a redenção do indivíduo, é inconcebível... E toda doutrina para salvar os pecadores, que não tem o propósito de transformá-la em guardiã contra o pecado social é inconcebível".
Conheça também um resumo da teologia de Wesley:
... A maior força da doutrina wesleyana da perfeição talvez esteja em sua habilidade de mobilizar os crentes a buscarem um futuro mais perfeito que supere o presente... Ela não está cega as às forças negativas, no entanto não as considera conseqüências inevitáveis do pecado original, mas exatamente aquilo que pode ser vencido.
Wesley ensina que Deus não apenas justifica, mas que o objetivo de Deus é nos criar novamente, transformar-nos, restaurar-nos a saúde e o nosso papel como imagem Sua.
Esta teologia busca o poder criativo e transformador na vida neste mundo. Busca transformação no aqui-e-agora (Hb 6.1)
O alvo é que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.13)
É assim que a criatura deve glorificar o criador
A Salvação não é apenas a reconciliação com Deus, mas a restauração segundo a imagem de Deus.
Nossa Grande Salvação envolve o processo transformador que visa tanto a superação do pecado como uma vida cheia de amor.
3 fatores indispensáveis na Regeneração:
Graça, que é a iniciativa divina de renovar a criatura e o mundo
Fé, a resposta humana à capacitação que reconstitui a imagem relacional
Sinergia, a imagem renovada agindo em consonância com o Criador para partilhar seu poder renovador com o mundo.
A salvação não é uma bênção que se encontre apenas do outro lado da morte. As Escrituras colocam no presente: “Sois salvos” (Ef 2.8) Não é uma coisa remota, é algo presente, que tem início neste mundo. Trata-se de toda obra de Deus, desde o primeiro toque da graça até a consumação na glória.
O objetivo de Deus não é meramente nos revestir de uma justiça que permanece exterior a nós mesmos, mas conceder e implantar a justiça de Cristo em nós de tal modo que ela cresça e se expanda.
A justiça do cristão não é de sua própria feitura, não é inerente, mas produto do Espírito de Cristo.
A nova criatura não pode permanecer a mesma!
A humanidade feita à imagem de Deus, como criatura chamada a recebê‑lo, a interagir com ele e a refleti‑lo no mundo, agora pode viver esse chamado por meio da nova relação com Deus, possibilitada por Jesus Cristo e capacitada e levada adiante pelo Espírito transformador.
O que diferencia a teologia de Wesley é sua capacidade de manter unidos, numa associação funcional, dois fatores absolutamente importantes na vida cristã que, muitas vezes, têm estado desassociados: a renovação desta relação (justificação) e a vivência dela (santificação), nenhuma das quais é possível sem a outra.
A aceitação por parte de Deus possibilita uma vida de fé e confiança. O que Wesley acrescentou a essa mensagem foi a boa‑nova de que essa aceitação divina é vivenciável, de que a "graça é perceptível”.
A imagem renovada, é testemunho na sociedade, um reflexo para os outros da própria bondade de Deus, e portanto pode realizar os propósitos, aos quais ele a chama, somente num contexto social.
Vossa própria natureza é dar sabor a tudo quanto vos rodeia. É da natureza do divino sabor que existe em vós expandir-se em tudo quanto tocardes, difundir-se por todos os lados, atingindo a todos aqueles em cujo meio estiverdes. Esta é a grande razão pela qual a Providência de Deus vos misturou com os outros homens, de modo que as graças, quaisquer que sejam, que de Deus houverdes recebido, possam ser comunicadas através de vós ao demais homens.
Wesley entende que o amor é o supremo alvo do processo de santificação. Quando os céus e a terra tiverem passado, ele permanecerá ainda. Porque só “o amor jamais acaba”.
Gálatas 5.6: “A fé que atua pelo amor” é o comprimento, a largura, a profundidade e a altura da perfeição cristã”. E ele nunca se cansava de lembrar a seus leitores que a perfeição, do modo como a compreendia, não é nada mais nada menos que “amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos”. Amar a Deus envolve “entregar a ele todo o nosso coração... devotar não uma parte, mas toda a nossa alma, corpo e substância a Deus”. Amar ao próximo envolve ter aquele “mente que houve em Cristo, capacitando-nos a andar como Cristo andou”, partilhando seu espírito na autodoação e no serviço aos outros. Mais uma vez, ele resume “o todo da perfeição bíblica” como “puro amor enchendo o coração e governando todas as palavras e ações”. (Wesley)
Tem sua base na perfeição daquilo que recebemos. O amor de Deus é perfeito. Não há amor mais supremo, mais completo, mais santo e mais doador do que aquele que recebemos do divino Doador. Este amor pe pura graça, e Deus o partilha com aqueles que são chamados a serem a sua imagem. Nós recebemos e participamos deste amor perfeito.
No entanto, como imagem de Deus somos chamados não apenas a receber, mas a refletir esse amor perfeito ao mundo. Compartilhá-lo com nossos semelhantes – e compartilhá-lo perfeitamente, isto é, de forma tal que ele possa ser recebido e apropriado pelos outros como um amor cuja origem é Deus.
Isto significa que a perfeição não é tanto para a pessoa, mas para o cumprimento da vocação à qual somos chamados.
Nossa santificação está associada e voltada à santificação do mundo, e como tal é um projeto sempre sinalizador e nunca acabado, muito embora o amor que redirecionamos seja completo, já que sua origem é divina.
... Este amor deve ser estendido aos nossos inimigos e até mesmos aqueles que julgamos ser inimigos de Deus. Aos inimigos de Deus? mas por que? Porque Deus os ama e seu coração anseia por vencer o seu afastamento. Por isso, para aqueles que são canais do amor de Deus, não há como distanciar dos pecadores porque são exatamente eles que o amor divino está buscando...
... O amor não pode ser apropriado como uma idéia abstrata; ele deve ser encontrado, é preciso haver participação nele...
... Wesley entendia a perfeição em termos do amor, e o amor não pode ser encontrado sem transformar a pessoa que o recebe. Enquanto a justiça pode ser legalmente “imputada” sem ser “concedida”, o amor só pode ser recebido se for concedido e se houver participação nele. Portanto, o amor de Deus transforma inevitavelmente a pessoa que o recebe. Nós nos tornamos “co-participantes da natureza divina” (2 Pe 1.4)... Tal participação os capacita a cumprir o chamado de refletir o amor de Deus no mundo.
A perfeição do amor de Deus é o ponto de partida mais viável para a reinterpretação da doutrina da perfeição hoje. Isso previne contra a preocupação com o eu e com a perfeita impecabilidade que prejudicou algumas interpretações do passado e está mais de acordo com o próprio desejo de Wesley de evitar o termo “perfeição impecável”. E ela nos abre à participação na única fonte genuína de santificação: o amor e a graça do nosso Criador-Redentor.
A “renovação da imagem de Deus” foi, para Wesley, o modo preferido de caracterizar a santificação e serve para descrever tanto a dimensão individual quanto social da salvação. A humanidade renovada à imagem de Deus não apenas se torna uma nova criação, mas é chamada a manifestar ao mundo aquele amor perfeito e assim proclamar e mediar o amor divino e seu poder criador.
A renovação da imagem também torna manifesta a relação entre a justificação, com a obra de Cristo por nós, e a santificação, como a obra do Espírito em nós. Ambas sustentam e possibilitam essa renovação, e a “grande salvação” torna-se genuinamente trinitária.
A renovação da imagem também nos ajuda a explicar como a santificação é um processo que começa com o novo nascimento da regeneração, mas continua em direção à plenitude da perfeição, com possibilidades cada vez maiores de refletir a perfeição do amor divino, expulsando o pecado e renovando a criatura e o mundo.
(Extaído do livro de Theodore Runyon – “A Nova criação – A teologia de João Wesley hoje” – Editeo)
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